segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Transformações

São 14:33, o sol está presente com intensidade de verão, embora no inverno. A belíssima música de Harold Budd & Clive Wright (pensive aphrodite) ilumina o caminho e constrói o clima que propicia a vida introspectiva.
Neste nosso mundo, uma de nossas percepções mais profundas e marcantes é a de que tudo tem um começo e um fim. 
É uma percepção que vai sendo construída ao longo de nossas vidas, conforme vamos prestando mais atenção aos acontecimentos ao nosso entorno e às pessoas de nossa convivência.
Ela vai aparecendo com força cada vez maior conforme a maturidade e a consciência das coisas sutis vai chegando.
Ela nos mostra a impermanência material, mas também, num outro nível, nos mostra a transformação de uma coisa em outra. 
Por que na natureza, aparentemente, nada desaparece, tudo muda constantemente e se transforma em algo diferente, que vai servir para algum propósito.

Assim, era uma vez um ser que habitava um mundo do qual muito gostava e no qual se sentia muito feliz, muito seguro, muito aconchegado.
Não havia nada neste mundo que o fizesse infeliz, insatisfeito, ansioso e, muito menos amedrontado. A temperatura era sempre amena, sua fome e sede sempre saciadas e ele era livre para ir e vir dentro de seus limites.
Era como se estivesse no paraíso, num lugar onde não havia nada para ameaça-lo, desafia-lo ou pressiona-lo.
Ele podia pensar, meditar, se movimentar e realizar à vontade. Podia ser plenamente o tempo todo. Vivia no presente naturalmente.
Se sentia confortável, aconchegado, acarinhado e amado sempre. Era um mundo (quase) perfeito. Mas ele tinha uma consciência, uma percepção das coisas e ela se aprofundava com o tempo. 

De repente, percebeu que existia, que estava ali há algum tempo e isso lhe deu a auto-consciência e a semente de uma dúvida.
Não sabia de onde tinha vindo nem para onde estava indo. Não sabia quanto tempo aquilo iria durar. Essas reflexões começaram a ganhar força e ele começou a se aprofundar nelas, a se preocupar. 
Não queria sair dali, queria ficar para sempre. Isso gerou uma certa apreensão, que se transformou em ansiedade e medo.

Começou a sentir movimentos e variações externas que não existiam antes. De repente, o ambiente começou a ficar "pequeno", estreito. Começou a incomodá-lo levemente.
O que é isso, pensou. Estava tudo tão bom! O que está acontecendo!? Eu não compreendo, estou me sentindo diferente, incomodado.
Começou a aparecer um sentimento de urgência no "ar", um sentimento de "algo prestes a acontecer".
Mas, mesmo com todos esses sentimentos e preocupações, quando conseguia ir mais fundo em seu ser, como costumava fazer antes, ele ainda percebia aquele entorno de carinho, de amor e de segurança. 
E isso lhe dava sempre uma sensação de alívio e de esperança de que "o que estava por acontecer era algo bom".

Após mais algum tempo, sensação que ele não tinha antes, percebeu que não era mais possível estar bem, ficar em seu ser, na plenitude. 
Os movimentos e variações das condições ambientais começaram a ficar muito extremas. Seu mundo, seu paraíso se tornou um Caos e não era possível mais permanecer. Era preciso mudar, buscar um outro lugar, uma nova morada, um outro refúgio, uma outra vida.
Sua apreensão aumentou bastante e percebeu claramente, intensamente, que algo grande e amedrontador estava "acontecendo".
Oh meu Deus, o que é isso!? Estou sendo empurrado, pressionado, sinto dor. Para onde estou indo, para onde!!? Quando isto vai parar.

Quando achou que não aguentava mais, sentiu todos os movimentos e pressões aumentaram e muito. Sentiu-se levado por alguma "força desconhecida"!!
Estava indo contra a vontade, mas ao mesmo tempo querendo. 
Percebeu então uma mudança na temperatura, para mais frio. Outra mudança na luz, uma luz muito forte começou a aparecer. Era o prenuncio da mudança, sentiu.
Após muita luta e esforço, sentiu-se saindo por uma "porta", uma abertura. Primeiro sua cabeça, depois seus ombros e braços e, então suas pernas. A dor era grande, os sentidos estavam totalmente em alerta.
Queria continuar a viver, seu instinto o ajudava.

De repente, sentiu-se apanhado e seguro. Por mãos como as suas, porém maiores.
Foi colocado em cima de algo grande e quente.
Percebeu que era bom, era aconchegante. Havia amor, mas de forma diferente. Sentiu-se abraçado, acarinhado e seguro.
Ficou um pouco mais tranquilo. Sabia que estava em um outro mundo. Que era diferente do seu, do qual já nem sentia mais falta.
Achava que poderia se dar bem ali também. mas precisava aprender novamente como sobreviver, como amar, como meditar, como ser pleno neste novo mundo.
Achava que teria ajuda daquelas mãos macias, delicadas e amorosas que o abraçavam.

Neste momento, sua passagem, sua transformação se completou e uma nova vida se iniciou neste nosso mundo impermanente, perigoso, desafiador e amoroso.

Amigos, que a paz profunda de seu interior possa ser alcançada em suas meditações.

Beijos fraternos e eternos.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A vida é bela!

Nesta manhã fria de maio, ao som de Schubert e de suas Sinfonias Inacabada (a número 8) e Grande (a número 9) recomeço depois de algum tempo. 
A sinfonia é inacabada, mas de tão bonita, ficou no catálogo do Schubert. Ainda bem, porque a música é bela e profunda. Tem uma intensidade que pode ser apreciada pelos mais sensíveis.




E por falar em sensibilidade e intensidade, gostaria de falar um pouco hoje sobre uma das experiências mais marcante, transformadora e formadora do caráter.
É uma daquelas em que o indivíduo se volta para dentro de sí de forma inevitável e onde revê alguns de seus mais sagrados conceitos de vida e de atitude. 
E, por conta de sua intensidade, é capaz de fazer com que o indivíduo perca completamente a consciência de sí mesmo, durante alguns segundos. Por isso mesmo, é uma experiência muito forte e importante na busca do ser por sua essência Maior, e na revisão de seus valores mais básicos.
Toda vez que perdemos o contato com nosso Ego, ou seja, perdemos a consciência de nós mesmos, por alguns segundos que sejam, diz-se (Muita gente boa, muito boa!) que entramos na nossa Essência maior, de onde não deveríamos ter saído.
Esses eventos transformadores devem ocorrer com frequencia em nossas vidas, mas como aprendemos a ser desatentos, não os percebemos. Assim, eles vão se tornando cada vez mais intensos, para que nós, surdos, cegos e arrogantes, possamos ou queiramos experimentá-los.


Chega de suspense. Neste caso, estou falando da experiência da dor, física ou emocional. Mas, calma aí, não estou falando de qualquer dor, dessas que a gente tem quase toda a semana, seja na cabeça ou em qualquer parte do corpo e que você se refere a ela como um incômodo. 
Me refiro àquela dor que, com sorte ou a ajuda do Cosmos, nos ataca poucas vezes na vida.
Aquela que quando acontece, faz com que você chore como uma criança e se dobre rapidamente como um canivete e caia no chão, sem chance de ajuda alguma naqueles instantes. Que, em alguns casos, é tão intensa que você dismaia, por que o organismo entende que dessa forma preserva melhor sua sanidade e segurança física.
Quando você não se lembra de nada, nem de sí mesmo, apenas foca na dor e no seu tempo de duração.
Aquela que, quando vem o alívio, você sente uma das sensações mais maravilhosas que esta existência pode te proporcionar. Esta passágem do sofrimento intenso para a sensação sem dor alguma, é também muito marcante. 


Essa é uma daquelas sensações em que nos sentimos muito humildes durante e logo depois, em que o EGO desaparece e leva alguns segundos para voltar.
Por isso mesmo, pode ser transformadora e espiritual. Infelizmente, nesse nosso mundo onde impera a força da Gravidade e da Inércia, o Sofrimento é um dos nossos maiores Mestres.
E veja que é bom que aprendamos com ele o mais cedo possível, porque ele é um Mestre muito zeloso, persistente e incansável.
Está sempre tentando mais um pouco enquanto não aprendemos alguma lição, sempre com uma forma diferente, mais intensa ou mais difícil.
Não há como nos desviarmos dele, a não ser tentando aprender sua lição, nos transformando interiormente. E, neste caso, não adianta colar, tentar enganar, buscar o caminho mais fácil. Aqui ele não existe.
Apenas quando tivermos aprendido e apreendido completamente a lição que a vida nos quer passar é que vamos minimizar nosso sofrimento.


Como foi dito, a dor pode ser emocional também e nesses casos, talvez a lição seja mais difícil de ser aprendida, ou assimilada. Não há muito o que fazer de concreto neste caso, pois não há remédios nem fisioterapia que dê um jeito na dor emocional. Os únicos aliados são o tempo e a reflexão interior, a meditação. A transformação, neste caso (segundo os maiores Sábios da Humanidade), passa por lições simples, básicas e difíceis: aceitação da dinâmica realidade, o desapego das coisas (físicas e abstratas) e pessoas e o reconhecimento de que tudo na vida, passa, gasta, quebra, envelhece e morre. 
Assim é provável que, na maioria das vezes, nossas maiores dores sejam mais emocionais do que físicas, o que talvez seja um alívio por um lado. Ou não!
Outra vez o trabalho é nosso, o de aprender, assimilar e se transformar. Novamente, para que isto ocorra, a reflexão interior com atenção, disciplina e persistência é o caminho mais valioso. De fato, não conheço outro. E daí, sou apenas eu! O que é que eu sei a respeito!?


Tenho passado por essa experiência há já alguns meses, por isso escrevo essas linhas. Não que a dor intensa ocorra sempre e há meses, mas em algumas ocasiões, quando sou pego de surpreza por algum evento fortuito, faço um movimento rápido com o ombro e aí, pimba, ela vem e tudo acontece conforme descrito acima. 
Sei que com o tempo e as medidas e orintações médicas, ela vai passar, mas sei que estou aprendendo uma lição, que tem muito a ver com a minha Arrogância e Prepotência de achar que já sei isso e mais aquilo e não procurar ajuda (inércia) na hora mais adequada.
Já refleti bastante a respeito e pretendo meditar ainda mais para assimilar bem a minha experiência. 
Por que preciso passar para uma outra lição rapidinho. Essa já deu!! Humildemente...!


Como diz o Poeta Nelson N., "....mas tudo passa, tudo passará!!..."


Amigos, a vida é bela, principalmente para quem já bateu com o nariz na porta, ou deu uma martelada no dedo!!


Abraços fraternos e mais os votos de paz profunda no coração de todos.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O que há por aí!!

Olá gente boa que me lê!
Boa noite!


Ao som de Mike Oldfield (Light&Shade), um dos melhores músicos não clássicos do século XX e XI, as harmonias e as melodias nos fazem viajar rumo a algum paraíso onde as coisas funcionam de acordo com a gentileza, a pureza e o amor.
A pergunta é: será que existem seres humanos lá!?


Mas não sejamos tão negativos! O que está do lado de fora, no exterior, no mundo em que vivemos, é o que temos por dentro, em nosso interior, nossa mente. Ou, pelo menos, é o que nós interpretamos do que sentimos por dentro, nossos impulsos básicos, nossos desejos, nossas aspirações, nossos sonhos mais belos e não tão belos.
Há outras coisas também que não sabemos rotular ao certo. E olha que rotular, classificar e julgar é conosco mesmo. Somos especialistas nessas tarefas que demandam muito da mente e pouco do espírito.


O fato é que dizem que vivemos adormecidos, à deriva, sem estar presente no momento, ou consciente ao significado do momento, ou ao que sentimos realmente naquele momento.
Porque, de fato, estamos aqui vivendo (e já faz um bom tempo) e não sabemos como, nem por que e nem durante quanto tempo ficaremos. Fora o fato de não sabermos o que aqui nos colocou, nem o que se pretende com isso, nem o que somos, nem o que se espera de nós.


Essas são as indagações importantes da vida e, no entanto, tem gente (muita) que não tem condições de conseguir viver com um mínimo de conforto, dignidade, segurança, saúde, etc, para sequer pensar nessas coisas. Sua luta é outra, se manter vivo. Continuar teimosamente a sobreviver à mingua.
O instinto de sobrevivência deve ser muito forte mesmo. Essas pessoas, portanto, passam suas vidas (curtas em geral) lutando muito para prosseguir por aqui, até que chega o dia delas.
Fim.


Por outro lado, existem as outras pessoas (nós), que têm o suficiente de saúde, conforto, educação, trabalho, segurança, etc, para viver bem.
E aí, aquelas indagações estão no ar, esperando uma reflexão periódica, uma busca por mais consciência nesta direção, um pouco mais de luz para que consigamos enxergar um pouco mais naquela direção.


No entanto, o que fazemos? Procuramos por distração, diversão, prazer, poder, coisas para passar o tempo e outras preocupações (legítimas ou não) que nos ocupam o dia todo, todos os dias.
Ah, mas as religiões tentam dar algumas respostas ou algumas pistas (ou regras). Elas são realmente o resultado do esforço de muitos que buscaram, em algum lugar no passado (filme), respostas para aquelas indagações.
Mas, infelizmente, tanto tempo se passou desde a época dos pioneiros, que hoje suas informações (em sua maioria) ou mensagens ou estão distorcidas (propositalmente ou não) ou parecem defasadas em relação à nossa cultura.


Para muitos não são confiáveis, para outros são a verdade ao pé da letra. Para outros ainda não são a verdade literal, mas precisam ser interpretadas. Mas interpretadas por quem!? Quem tem as chaves!?
Quais mensagens são literais e quais são simbólicas! No mínimo, há uma busca a ser feita. E ela parece ser individual ou, pelo menos, de um pequeno grupo. Quanto menos gente, menos distorção, no entanto há o perigo de não se ver a luz da verdade num grupo pequeno.


O fato importante é a reflexão sobre a busca do significado de viver, sobre os porques existenciais. É preciso faze-lo, é essencial faze-lo. É básico realizá-lo.
Na realidade, é esta a nossa principal tarefa. É uma tarefa do tipo expansão de consciência, de busca de nossa essencia, nossa semente. Cadê nossa semente, gente!?  É uma atividade de se voltar para nosso interior e buscar profunda e sinceramente por nossas verdades.
Assim, qualquer atividade de expansão de consciência, de interiorização, de parada interior, ou de auto-conhecimento (como se diz), é uma tarefa que nos ajuda a encontrar as nossas respostas.


O resto serve à nossa sobrevivência e às nossas condições de vida neste planeta. Estas questões práticas, de sobrevivência e construção e manutenção, mas também de busca de poder, de busca de conforto, de prazer, de ser reconhecido, de ser o primeiro, de ganhar na loteria, de ser bonito e sarado, de aparecer mais, de comprar mais, de saber mais, nos fazem ficar à deriva da busca essencial, longe de sua trilha.


Enquanto estivermos fora daquele caminho, estaremos como que adormecidos, sonolentos, como zumbis, sem saber da existência destas verdades interiores e sequer saber que existe o amor incondicional entre quaisquer seres viventes, a pureza das crianças, a beleza da natureza, a super energia da criação, a maravilha de se viver com um parceiro com respeito e carinho e ter construído uma família.


Há muito o que descobrir, há muito o que buscar, porém é necessário acordar.
Cada um tem um caminho. Busque-mo-lo.


abraços fraternos de amor e paz profunda, 



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Um cachorro e sua família

Ao som de Pat Metheny (First Circle) e ao cair da tarde, num clima chuvoso, mas ainda com grande atividade dos pedreiros próximos e outros trabalhadores.
A música me anima. Certas músicas me animam muito e essa que ouço agora (Praise) é certamente uma delas.
Mas, nem tudo é animação. Hoje, quase agora, morreu uma de nossas cadelas, a Poddle, cujo nome era Tammy. Foram quase 14 anos, ou mais, de convívio.
Um convívio, na maioria das vezes, calmo, prazeiroso, amigo e leal, claro. Ela era uma cadela com inteligência acima da média dos cachorros que eu tive o prazer de conviver.
Aprendia as coisas com facilidade, era dócil e quase nem latia. 
Em compensação essa outra que aqui ficou, uma Dashhound ou Teckel (uma Cofap), late pelas duas ou mais. Mais essa é outra estória.
Hoje, a história é toda da Tammy, sua leveza e sua doçura. Todos gostavam dela aqui em casa. Bom, talvez a Teckel, nem tanto, apenas aceitava.


Mas a Tammy era a favorita da maioria da família. Minha propriamente não era, mas gostava dela, o que era muito fácil. Seu jeito dócil, talvez tenha sido estruturado e definido também pelo fato dela ter tido duas cadelas Teckel em seu convívio, o que a deixou como cachorro seguidor e não lider. 
As Teckel sempre assumiram o papel de cachorro Alfa e lá estava ela relegada ao segundo plano. Seus primeiros latidos eram sempre abafados logo em seguida, suas idas e vindas pela casa eram como que "vigiadas" e analisadas.
Mas ela sempre se adaptou com maestria a esse papel, o que mostra sua inteligência.


Acompanhou meus filhos da adolescência em diante, teve uma convivência bastante próxima e afetiva, principalmente com minha filha Maíra e minha companheira de vida Eneida. Elas devem sentir mais essa perda.
As perdas só existem porque nos acostumamos a achar que as coisas são nossas ou que devem durar para sempre, principalmente aquelas que nos dão prazer, carinho, nos fazem companhia, nos dão amor incondicional e não nos pedem nada em troca.
A perda é uma das lições mais duras dessa vida neste planeta onde reina a lei da Gravidade e a da Inércia.


Temos muita dificuldade em aceitar certas perdas e sofremos por quase todas. É normal, dizem. Mas a paz de espírito também é normal e poderíamos acessa-la quando quizéssemos.
De qualquer forma temos muito a aprender antes de chegarmos à maestria, à nossa divindade interior, à nossa Luz maior. Acredito numa vida de amor, de carinho, de diálogo, de amizade e de paz.
Acredito que tudo isso nos leva adiante, para cima e para dentro de nós mesmos. Acredito no relacionamento humano e no diálogo, no respeito, no amor, na tolerância e na aceitação para mante-lo e aprofunda-lo.


O cachorro nos dá tudo isso e mais, sem nada pedir em troca. A não ser talvez comida, nossa companhia (de vez em quando) e um teto.
A Tammy foi assim e assim se foi. Desta para a melhor. Hoje, quase agora, eu a enterrei no nosso quintal. Foi a terceira.
Voltou para a terra e para o universo. Na hora em que fechava a cova com as primeiras pás de terra, veio até mim um querido sentimento ao qual me agarrei e vivenciei. Um sentimento de despedida e de entrega.
De entrega ao Universo daquele pequeno ser que durante alguns poucos anos alegrou tanto os corações dessas pessoas.


Obrigado Deus por esse relacionamento e por pode-lo encerrar apropriadamente.


Ela se foi, mas o Pat Metheny e nossos corações continuam buscando alegrias, paz e amor.


Beijos e paz profunda a todos.







domingo, 29 de agosto de 2010

Uma experiência qualquer

Ouvindo Klauss Schulze, música eletrônica da gema, além de germânica. Sempre climática e viajante, o que para um quase pisciano satisfaz a todos os sentidos.
Mas a vida segue e nós junto no seu fluxo rumo ao destino misterioso, que no fundo é o mais importante de tudo.
Foi certamente após 1955, porque ele já sabia andar cambaleando, porém com desenvoltura. Vivia sua vidinha conforme mandava sua alma. Não estava muito afastado dela ainda, embora já tivesse passado por uma experiência traumatizante aos dois ou três meses de vida. 
Uma daquelas que se vive nos hospitais, quando as feições dos médicos e dos pais demonstram dúvida e medo quanto ao destino do paciente. Mas ele passou por essa sem "muitos" arranhões físicos.
Não fosse sua mãe, teria tido o mesmo destino de seu irmão mais velho, falecido aos três meses.
O fato importante porém, nesta história, é que lá estava ele todo feliz e contente em sua empolgação limitada, ao lado de sua querida mãe e seus amigos numa reunião de famílias ao ar livre.
O tempo estava quente, havia um céu azul bonito com sol e sem nuvens. O cenário era bonito, junto à natureza, com direito a várias árvores, arbustos, vegetação rasteira e uma lagoa. 
Para ele, o mais bonito era a lagoa, uma quantidade de agua nunca vista e uma beleza misteriosa e sua forma variável e seus reflexos brilhantes pelos raios solares. A lagoa lhe era desconhecida, não sabia "como funcionava".
Já tinha chegado perto dela com sua mãe e visto que era de água, mas diferente daquela que conhecia e que bebia. Esta era esverdeada e turva, não permitindo que seus profundos mistérios fossem expostos. 
Isso, naturalmente, mexeu com ele, intrépido aventureiro que já tinha feito mil e uma para descobrir os porques e os comos. 
Assim que, de repente, ele se viu andando rumo à lagoa, porém agora sozinho. Sua mãe havia lhe dito para não faze-lo porque podia ser perigoso, mas o que seria isso!! Era preciso descobrir.
Por algum motivo cósmico, ninguém estava olhando, distraídos pela conversa e a alegria natural do encontro entre amigos, principalmente ao ar livre.
Portanto, lá vai nosso amiguinho, já com seus 3 aninhos ou anões, caminhando célere e arteiro rumo ao seu destino de descobridor,  de pioneiro, rumo ao desconhecido.
Ao entrar com seu pésinho na água, sentiu-se molhado e refrescado. Gostou e foi mais um pouco, movido pelo encantamento. Deu mais três passos, olhou os lados, sentiu suas canelinhas molhadas e refrescadas e gostou ainda mais.
Querendo mais, foi mais um pouco, mais um pouco e....., de repente, seu pé não sentiu mais o fundo da lagoa. Perdeu o equilíbrio e afundou com tudo.
Primeiro foi até divertido, pois afundou completamente e se molhou por inteiro. Estava surpreso, mas até então empolgado e alegre. 
Mas bastaram alguns segundos nesse estado para começar a beber água e a lutar para voltar. Queria voltar, a brincadeira já não estava mais interessante. Por mais que se debatesse com suas roupas molhadas e pesadas e sua falta de coordenação, não conseguia nada a não ser se cansar.
Começou a ficar nervoso, com medo e descontrolado. Sua força de vontade não o ajudava mais em nada. Sua ignorância das coisas também não!
Assim foi que se cansando mais e mais, foi afundando e afundando enquanto a luz solar que penetrava alguns metros foi ficando cada vez mais esmaecida.
O mundo lá fora foi ficando cada vez mais distante, os ruídos externos desaparecendo e o silêncio da lagoa prevalecendo cada vez mais.
Já estava num tal estado em que o descontrole e o medo, que já não ajudavam fazia tempo, começavam também a diminuir, a desaparecer. Foi aparecendo então uma outra sensação, uma de uma certa tranqüilidade, de amortecimento dos sentidos, de paz total. De harmonia com o ambiente aquoso. Estava indo embora desse mundo e estava, agora, gostando. Estava até querendo, ansiando. Aquela luz do sol, agora lhe parecia algo mais, algo mais coerente, focado, chamante.
Estava indo para ela e era o que queria agora. 
Foram apenas segundos, porém para ele durou mais com certeza. Sua atenção ao momento presente foi multiplicada por 100 ou 1000. 
Lá estava ele quase curtindo sua partida deste mundo, quando algo grande e poderoso lhe apanhou pelos cabelos e o puxou rapidamente para cima.  De volta para a vida neste mundo. 
Tossiu muito, cuspiu bastante água para fora de si. Foi o preço da viagem de quase morte. Ouviu muita gente falando com ele, algumas pessoas chorando, mas sentiu que estava bem. E estava de volta para esse mundo e melhor, de volta para o colo de sua mãe.
Naquela época, não tinha coisa melhor. Foi se acalmando e tudo voltou ao normal. As aflições e os medos ficaram para traz, ele voltou a este mundo.
Mas não esqueceu da experiência, de tudo o que vivenciou e sentiu. Só ele sabe o que passou, o que sentiu e o que lhe ficou em sua alma. A presença ea força de sua mãe, e seu amor por ela ficaram gravados eternamente.
Ele ainda hoje, 53 anos depois, ainda sonha com ela e pergunta: o que foi tudo isso? para que tudo isso?
Ele não sabe a resposta, só sabe as perguntas.
Ele é apenas um ser humano que quer saber, como todos.
Ele, sou EU!


bjs fra-e-ternos,

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sobreviver!

Boa noite fria! 
Ouvindo o som espacial de guitarras de "Clive Wright", "Hammock", Harold Budd" e outros no programa 911 do site Hearts of Space (www.hos.com), com música New Age e adjacencias.
Música climática e tranquila, que é o que eu curto, principalmente 'a noite.
Tranquilidade e paz. Que maravilha é quando nosso interior, nossa alma está plena de paz e harmonia.
É, mas nem sempre é assim, não é mesmo!
Às vezes, sentimos raiva, temos momentos de fúria, ou seja, somos agressivos, violentos e enfrentamos o que nos aparece. E às vezes, muitas vezes aliás, temos mêdo, fugimos ou nos escondemos.
E curiosamente, em algumas ocasiões esse mêdo aparece fantasiado de raiva, de agressividade. Que curioso hein!!
Sim, temos essa dualidade de sentimentos básicos, extremos. Acho que é nosso instinto de sobrevivência, uma força motivadora essencial para podermos viver o maior tempo possível. Ele nos dá força interior e energia para seguir adiante, coragem e persistencia para superar os obstáculos do caminho. Conforme ganhamos inteligência e conhecimento, essa mesma força nos estimula a procurar por soluções mais seguras, controladas, mais permanentes e até mais confortáveis. 
Com o tempo vamos desenvolvendo capacidade de organização, planejamento e de criação, de engenharia. Mas, ao mesmo tempo que conseguimos realizar as coisas que buscamos para nosso conforto, nossa segurança e nosso deleite, aparece o outro lado da moeda: o mêdo de perder tudo.
É a mesma moeda e seus dois lados: a força para lutar, construir, criar, controlar e possuir e o mêdo de perder o que lhe dá conforto, abrigo, prazer e segurança. 
Não há como sair desse círculo vicioso, a menos que mudemos totalmente nossa percepção do mundo, de forma que passemos a entender cada momento como sendo único e perfeito sempre.
Não importa o que dele nos aconteça. Não importa o que aconteça, estamos sempre prontos a reconstruir, a se levantar e a prosseguir no caminho rumo à luz.
Nesse ponto, onde tudo entendemos como sendo nada pessoal e sim eventos da vida que têm um propósito inteligente e que nos ajudam a sermos cada vez mais plenos, nesse ponto, estamos em harmonia com o Universo exterior e interior.
Nesse ponto, o sol continua nascendo, as guerras e os furacões acontecendo, enquanto nós prosseguimos nossa jornada rumo à luz. 
A dúvida então é como chegar a esse ponto. Dizem que qualquer caminho leva até ele, mas não sem sofrimento, dor, raiva, alegrias, prazeres, mêdos e deleites.
Dizem que cada passo do caminho é o objetivo final. Em cada momento está contido o conhecimento total.
Que cada momento deve ser vivido como se fosse o último. E é! O outro já não é o mesmo.
Nossa consciência, então, deve ser desenvolvida de modo a abranger todas as nuances e características de cada momento. 
Consciência é atenção plena mais conhecimento mais sabedoria. Podemos começar então pela atenção e prosseguir em seguida com os mais difíceis.
A atenção plena, dizem, vem pela meditação. 
Meditemos pois. Busquemos dentro de nós a paz e nossas capacidades mais sutis e plenas.


Paz profunda

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Uma questão de gosto!!

Aqui novamente!! Ouvindo Steve Hackett (Voyage of the Acolyte de 1975), ex-guitarrista da fase áurea do ex grupo de rock progressivo Genesis. Eu curto bastante, mas sei que é uma questão de gosto.
Curioso, mas isso me dá uma sensação de não poder compartilhar com todos um sentimento de prazer, uma alegria sentida, ou até um júbilo na alma.
Apenas uma reflexão sobre a fragilidade do ser humano que se acha incompleto e deseja compartilhar seus prazeres, suas alegrias, mesmo seus temores com todos, mas não consegue.
No máximo, pode contar a respeito, ou pode perguntar se outro compartilha de seu gosto artístico. E arcar com as possíveis negativas e/ou críticas.
Faz parte de nosso aprendizado de que estamos sózinhos, apartados de todos, exceto de nosso interior, nosso Eu Maior, nossa alma. Em busca de nossa felicidade.
Além disso, podemos olhar para outro como alguém que busca a mesma coisa, ou seja nosso olhar pode se tornar mais compassivo, por sabermos que ele também sofre e busca uma felicidade que não sabe exatamente onde encontrar.
Esse olhar com outra percepção pode fazer com que nos tornemos mais próximos uns dos outros, pois no fundo, como já foi dito por muitos, todos somos um, somos iguais em nossas buscas, em nossas alegrias e dores.


Escrever é bom para mim, porque consigo me expressar melhor e me ajuda a descobrir mais coisas em mim. Eu tenho mais tempo de refletir e de melhorar a mensagem passada para mim e para o outro. Essa é, eu acho, uma atividade muito importante nesse mundo em que a telepatia ainda não é "muito utilizada".
No fundo, vivemos fazendo isso, passando mensagens/sentimentos de amor/ódio para os outros. 
O máximo de contato e troca que fazemos com o outro é o sexo, onde experimentamos algo único e transcendental. É uma experiência que buscamos repetir muitas vezes, fazendo sexo ou de outros formas, com drogas, criando arte, ou participando de experiências vivenciais sempre profundas.
O que desejamos é transcender nossos limites corporais, fundir-nos no outro ou no universo, talvez nos transformar em energia. Talvez nos preparando para o que vem depois da morte.


Por falar nisso, ontem assisti ao filme "Encontro Marcado" do Martin Brest e com Anthony Hopkins, Claire Forlane e Brad Pit (no papel da Morte). Tinha me esquecido de quão bom este filme é. Muito sensível, romântico e reflexivo.
Completamente recomendável, mas já antevendo a reação de alguns, é claro que é uma questão de gosto.
Como tudo e como nada!


Fico por aqui. 
Ao som do, ainda muito bom, Steve Hackett (Shadow of the Hierophant), desejo-lhe muito amor, muita paz e felicidade nesta vida.