sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Viver a Vida

Olá amigos deste espaço e desta dimensão temporal. Estamos aqui neste momento por obra de nossa percepção mental e espiritual. Hoje embalados aos sons de Harold Budd & Robin Guthrie, de Hammock e do fabuloso Stars of the Lid.
Sons etéreos, lentos, profundos e melodiosos. Nada mais inspirador para mim.

A Vida nos oferece uma gama muito grande e variada de experiências e possibilidades que podem ser experimentadas. Vive-las ou não parece ser uma escolha nossa, do nosso livre arbítrio.
No entanto, alguns destes eventos vitais parecem nos acontecer quer queiramos, quer não. Parece que são jogadas na nossa cara de forma inevitável e intensa.
Em outras ocasiões temos que ir ao seu encontro, nos esforçar um pouco para vivencia-los. Outros são ainda mais difíceis e fugazes e nosso esforço para experimenta-los deve ser bem maior.

De qualquer forma, a verdade é que sempre experienciamos a vida com a nossa percepção mental. Esta pode ter diferentes dimensões e profundidades. 
Vamos dizer que podemos perceber física, psicológica ou espiritualmente para simplificar as coisas. De um nível mais grosseiro para um nível mais sútil. Parece ser uma aproximação razoável, embora simplificada. De fato as coisas não são nada simples e estamos longe de saber "pouco" a respeito. Imagine "muito".

Em todo caso, tudo depende de nossa percepção, isto é de nossa consciência, de sua amplitude e foco. Na realidade de nossa interpretação da realidade que vivemos.
A herança familiar, a genética, o modo como fomos educados e nosso ambiente cultural, social e emocional na infância têm muito peso no cenário geral, na formação e no "clima" dessa percepção.
Essa influência externa do modo como percebemos a realidade continua ao longo de nossa vida inteira. Todas as nossas escolhas e decisões importantes ou não, nossos pontos de vista, nosso humor diário, tudo o que percebemos e sentimos são permeados por esses fatores genéticos, psicológicos e físicos. Sem falar no espiritual.

Estamos meio que pressionados por todos os lados por conta de forças que têm um enorme poder de persuasão e sedução sobre nós.
Ao mesmo tempo, parece que sempre temos a escolha final, temos o poder de decidir o que quisermos em cada momento vivido. Que temos o controle final.
O fato é que, sem o nosso controle, tendemos a ir ora para um lado ora para o outro. Ou seja, sem a direção da nossa consciência, nos iludimos de um jeito ou de outro.

No exercício do viver, da busca de nossos sonhos, de nossa felicidade, estamos sempre nos esforçando para fazer isso ou aquilo, tentando focar nossa atenção à questão mais importante daquele instante para decidirmos melhor.
Mas parece que quanto mais nos esforçamos mais a coisa nos escapa. Deve haver um ponto certo onde as coisas acontecem "naturalmente". Seria "o fio da navalha", o caminho do meio.
Os grandes mestres insistem em dizer que esse ponto parece acontecer mais vezes com uma percepção mais atenta e amorosa da realidade, do que o oposto.

E isso deve ser um fato. Se rir ou chorar são contagiantes, então o humor diário pode se-lo também. Se temos alguma escolha, algum livre arbítrio, então é preferível escolher o amor, a pureza, o otimismo e o copo cheio.

É uma questão de percepção, portanto deve ser de treino mental, físico e espiritual.
Dizem que devemos perceber a vida da mesma forma como as crianças a percebem. Da mesma forma como percebemos a música. Nos deixando levar pela intensidade do momento, usando a consciência, tendo a percepção direta, sem rotular, sem julgar, sem reagir.
É simples e definitivo, mas é como por o ovo em pé!!

Paro agora ao som de Steve Roach e lhes desejo uma vida plena e feliz. 

domingo, 25 de maio de 2014

Estado Natural

Amigos, imaginem-se numa noite agradável de outono-inverno, ao som celestial do magnífico duo americano chamado Hammock. A partir desse cenário, gostaria de refletir com vocês sobre um tema especial que me veio à percepção aos poucos, de não sei onde!!

Há um estado natural das coisas do mundo. Das coisas materiais e das imateriais.
Das  muito densas, das não tão densas e das mais sutis.
Um estado onde há o mínimo gasto de energia para se estar e onde se experimenta a maior estabilidade possível.
É um estado de repouso, de pouca tensão e, portanto bastante tranquilidade. Ele é conhecido por todas as coisas da Natureza, pelos seres viventes em geral. A água sempre o procura e permanece nele. 
Pela observação de sua Natureza interna e externa, o homem aprendeu a conhecê-lo e, através da Filosofia, da Religião e da Ciência, se expressou sobre ele.
Ele aprendeu que neste estado, tudo se acalma, se revigora, fica mais claro e atemporal. Ele sabe que a partir dele, sua visão das coisas é mais ampla, imparcial e penetrante.

Vamos, então aqui chamá-lo de Centro. Ele é um ótimo lugar para se acalmar, para repousar, recuperar as energias, fazer uma reflexão mais profunda, ver as coisas de uma perspectiva mais ampla e verdadeira.
Mas é também um estado onde pode haver uma transformação interior, uma cura, pode ocorrer "o cair da ficha", o "salto de compreensão"!

Assim, o Centro é um lugar de introspecção e de ação interior. Mas não exterior. É um lugar de potencial de ação exterior, de criatividade.
É a partir dele que nascem as grandes ideias, as obras de arte, as invenções, as Iluminações. Porque é ali onde o Ser pode concentrar sua maior atenção/concentração, sua maior quantidade de energia e potencialidade criativa.

No Centro é onde nos encontramos com a Paz e o Amor. Idealmente, é a partir dele que acontecem as ações exteriores. Sempre que agimos gastamos energia física, psíquica e emocional e obtemos um resultado.
Portanto, sempre que agimos devemos voltar para o Centro para nos restaurarmos e para refletirmos sobre o resultado, entrando em contacto com as vibrações que retornam.
Quanto mais intensa ou profunda for nossa ação exterior, tanto mais importante é o nosso retorno ao nosso Centro.

Pode-se dizer, então que quando agimos exteriormente, nos desequilibramos momentaneamente ao despendermos nossa energia numa só direção. Assim, logo que possível, voltamos para Ele. Caso contrário, a Vida seria um eterno agir sem refletir, um eterno nadar na superfície sem os significados mais profundos, um eterno buscar de satisfações de desejos, a tudo banalizando. Um eterno se esgotar, sem restauração, nem Paz e nem Amor. Uma Vida de Zumbis.

Mas, onde está o Centro? Ele depende de cada situação? De cada momento? Nossa principal pista está em saber que no Centro está o Repouso, a Paz, o Amor e a Atenção plena e desinteressada. É também onde se encontra a Consciência. 
O Centro, necessariamente, está entre os extremos. Às vezes, precisamos ir ao extremo oposto para recuperarmos a noção de nosso Centro.
De qualquer forma, em cada situação pode-se buscar esse estado e obter seus benefícios.
Na doença física, é fácil, busca-se o repouso, o fortalecimento físico, mental e psicológico. Damos tempo para o corpo se recuperar. E o ajudamos muito quando ficamos quietos e o mais tranquilos possível.

Nas aflições mentais é mais difícil encontrá-lo ou até procurá-lo, mas devemos sempre nos lembrar que, fora Dele não há Paz ou Amor.
Às vezes, é preciso um treinamento mental para recuperarmos essa noção e essa busca interior.
A busca do Centro pode ser auxiliada com sua associação a alguns processos naturais, que aqui chamamos âncoras.
Um deles é a respiração. A esta é muito fácil fazer a associação porque ela está intimamente ligada à natureza do nosso estado psíquico-emocional. Quando estamos muito emocionados, agitados portanto, ela terá a mesma natureza. Estará agitada, curta e muito frequente. Quando nos acalmamos, "suavizando" nosso processo mental, a respiração naturalmente também se acalma, desacelera se alongando e se aprofundando.

Assim, pode-se dizer que quando queremos alcançar nosso Centro mentalmente, podemos buscar uma sintonia com nosso ritmo respiratório, buscando suavizá-lo e "ficando com ele" o maior tempo possível.  
Se o perdermos, não haverá nenhuma culpa, nenhum julgamento, apenas uma volta tranquila ao estado anterior.

Enfim, ao exercitarmos a busca periódica e constante de nosso Centro, nossa vida será mais plena, positiva e saudável, pois plena estará do potencial de Consciência, Paz e Amor generosos  que Dele emanam.

Amigos, que nossos momentos sejam plenos e amorosos!!





Que a visão dessa linda Garça Azul nos inspire em nossa busca!

 


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Ritual

No embalo inspirado e místico de Aeoliah, com seu álbum "Majesty", inicio este novo ano (2014) nesta nova-velha vida.

Toda passagem de ano nos faz refletir sobre vários temas importantes. O que fizemos, o que vamos fazer, planejamentos profissionais, de aquisição de bens, resoluções sérias e firmes, etc.
Vou refletir um pouco aqui sobre os rituais e seu valor para mim. 

Como  se sabe, os rituais existem na vida humana desde de seus primórdios e estão ligados a religiões, a culturas e a associações místico-filosóficas, grupos militares, políticos, dentre outras instituições.
Existem rituais de passagem de uma estação do ano para outra, de um período na vida para outro, de apreciação de um ídolo ou deus, de fertilidade, de crescimento, de celebração de vitórias, de lamentação de derrotas, de lamentação de perdas, de júbilo pelo casamento, etc.
Desde que o Homem, pela primeira vez, olhou para o céu noturno estrelado e viu o que todos podemos ver ainda hoje, começou a sentir algo profundo, misterioso, começou a se sentir inserido na imensidão do universo. Mesmo sem entender.
Desde que começou a ver o valor da alimentação, da companhia dos outros e do refúgio seguro em suas vidas, o homem começou a ter necessidade de celebrar e repetir certos comportamentos para reviver as emoções sentidas e passá-los aos outros.

Por que o ser humano é tão conectado assim aos rituais!? Qual é sua força, seu valor?

O mais importante é notar que cada ritual contém e pretende transmitir um significado, um princípio e um mistério envolvidos em sua ideia.
Seu princípio e significados mais mundanos nos fazem pensar, interiorizar e tomar resoluções sérias e firmes e até nos transformar. Mas é o mistério envolvido que pode causar o maior efeito, porque nos cria uma dúvida em nossa compreensão e pode fazer com que nos curvemos e o reverenciemos.
Sim, por que como todo mistério que se preze, ele é inalcançável (por enquanto, pelo menos!) pela intelectualidade, pela racionalidade humanas. E isto nos faz menores, humildes. 
Nós nos curvamos para aquilo que não conhecemos totalmente. O orgulhoso ser humano, que acha que tudo sabe, de repente, se vê nas garras do misterioso.
E o Mistério, o insondável, o inexplicável é maior do que nosso Ego, maior do que nós. Essa é uma ideia muito importante para continuarmos nossa jornada com o devido respeito e consideração pelo que é maior do que nós, pelo misterioso.
Muito importante para nos manter humildes, receptivos, atentos e conectados com os sentimentos e a sacralidade desse mistério.
Há algo Maior, mais importante do que o Ego, simbolizado pelo mistério nos rituais. Sem dúvida que há! Caso contrário, saberíamos por que estamos aqui.

O ritual ainda tem valor e significado para o ser humano enquanto a ideia que representa ou simboliza não estiver banalizada. Ou seja, enquanto o cinismo e a ironia humanas ainda não a tiver corrompido.
A banalização de tudo tira a reverência, o mistério e a profundidade da vida. E ai, achamos que somos maiores do que tudo. Ledo engano sempre.

Por isso, a atenção à intenção, ao seu interior, a disciplina para manter o ritmo da respiração e o silêncio interiores são muito importantes.

Abraços fraternos e paz profunda.

sábado, 10 de agosto de 2013

Ela existia!

14:23hs



Som: Música eletrônica de Steve Moore (Light Echoes). Na prática é como se fosse o Tangerine Dream. Eu gosto. 
Já estamos em agosto. O sol começa a nascer ligeiramente mais cedo e as temperaturas já sobem um pouco. As noites se encurtam e a vida consciente acorda mais cedo.
Os seres viventes deste mundo ao despertarem, começam a perceber novos pensamentos, sentimentos, urgências, esperanças e toda a sorte de imagens e fantasias em suas mentes. Basta existir conscientemente neste mundo para sofrer a influência desses eventos nem tão compreendidos assim.

É minha gente, mas não para Verônica. Para ela não acontecia desse modo. Por quê!? Porque ela ainda não existia nesse mundo. Não tinha este corpo, este cérebro ou esta mente com tudo o que a acompanha. Não ocupava uma parte desse espaço, não respirava nosso ar, não comia nossa comida e não tinha nossas preocupações.
Mas ela existia. Ela tinha certeza disso. Mas, onde ela estava!? Ela estava no nosso antes e no Agora dela.
De fato, ainda nem sabia que era a "possível" Verônica e que teria um pai e uma mãe. Que teria uma vida consciente com amigos, escola, trabalho, esperanças, projetos, realizações, raiva, dores, doença, sofrimento, amores, alegrias, ressentimentos, inveja, medos, certezas, orgulho, dúvidas, entusiasmo, auto-estima, Ego, paciência, confiança, fé e Paz.
Não sabia que poderia ir da miséria à riqueza, da alegria à tristeza, da expectativa à decepção, da desesperança ao amor em questão de minutos ou até mesmo segundos. Não sabia que poderia ter uma experiência espiritual tão transformadora que poderia lhe trazer a Paz e a Sabedoria totais. Não sabia que poderia sentir tanto medo que poderia até se matar.
Enfim, não sabia ainda que seu potencial mental de vida e de morte poderia ser inimaginavelmente grande, que de tão imenso era como se infinito fosse.
Não, ela ainda não sabia. Porque aqui ainda não estava.

Mas, se não estava aqui, onde estaria!? Uma pergunta válida, não é mesmo! Uma dúvida razoável. Onde ela estava, onde nós estamos, e o que ela lá fazia!? E nós!?
Essas perguntam demandam uma explicação, ou pelo menos uma profunda e perene reflexão. Nem que seja para aplacar os ânimos. Ou talvez até para realizar uma (parte) verdade. Ou a Própria, em carne e espírito.

De qualquer forma, lá estava Verônica existindo em algum lugar diferente desse e sendo algo diferente de nós. Sim e de fato, isso é verdade e verdadeiro porque nada existe em um lugar sem ter estado antes em outro (esperando). Pois nada surge do nada. Algo sempre surge (vem) de algum lugar. Ou de algum formato anterior, menos amadurecido.  Nada se perde, tudo se transforma. A quantidade de energia do universo se conserva. É uma lei natural da evolução.

Assim devem funcionar as coisas do Universo, através da evolução, da tentativa e erro, da causa e do efeito, com origem, vida, crescimento, autoajustes, amadurecimento, envelhecimento, decadência e morte neste mundo. E, portanto renascimento no outro.
Estamos então aqui, neste mundo, em nossas vidas buscando evoluir, através das experiências com os outros e conosco mesmos, tentando, errando, se ajustando, amadurecendo, em direção ao outro mundo, para então, conhecer Verônica.

Beijos a todos, paz profunda e atenção plena.




quinta-feira, 9 de maio de 2013

Um livro...

Olá queridos amigos e colegas desta vida!

Começo esta nova postagem ao som de Bruno Sanfilippo, argentino e brilhante pianista clássico, tecladista e compositor de música Ambient. Ouço o album Subliminal de 2011.
O som, especialmente este estilo, sempre me motiva, me embala e me coloca no clima adequado para a Reflexão.

De qualquer forma, eu digo que...
Há um livro muito antigo. De fato, é um fato histórico que há um livro escrito no século V da era Cristã, mais ou menos por volta do ano 430 na região do que é hoje o Sri Lanka.
Escrito em Pali (língua indiana da época) pelo eminente erudito e monge budista indiano Buddhaghosa, o livro chama-se Visuddhimagga, o Caminho da Purificação.
Buddhaghosa foi um prolífico erudito budista, tendo escrito vários outros trabalhos na área, sendo este em especial considerado hoje como o mais importante.

Seu trabalho foi feito dentro da Doutrina Budista Theravada e é considerado o mais importante texto desta linhagem exceptuando-se as próprias escrituras do Canon Pali, o Tipitaka (que significa três cestos).
O Visuddhimagga é um compêndio ou um manual que resume e sistematiza o conhecimento da filosofia do Buddha sobre a meditação e o Caminho para o Nirvana conforme entendido e difundido entre os Antigos monges do Monastério Mahavihara no Sri Lanka. Está baseado principalmente no Sutta Rathavinita,  que é parte do Sutta Pitaka, um dos três cestos do Canon.

O trabalho do autor ao realizar o Visuddhimagga foi de análise e comentários do texto do Sutta, além de estruturação num formato mais didático composto de sete partes que definem o Caminho da Purificação. 
Ele foi comentado posteriormente por outros escolares budistas e veio sendo utilizado para estudo e prática pela comunidade budista (Sangha) Theravada durante os séculos até a nossa época.
Milhares de iniciantes ou avançados o leram e o estudaram até hoje, obtendo-o através de sua iniciação na tradição budista ou de um mestre individual. O livro era de difícil acesso e difícil leitura e estudo. Não é para leigos.

Mas, agora, em 2010, saiu a quarta edição revisada deste livro em inglês pela BPS (Buddhist Publication Society). E mais, ela está disponível (pdf) de graça no site (www.accesstoinsight.org).
Isto só foi possível pela dedicação de um outro monge budista, também do Sri Lanka, que em 1955 decidiu estudar mais a fundo o compêndio realizando sua tradução para o inglês. Durante seu trabalho e após comentá-lo com outros de sua Sangha, decidiu-se que seria importante sua publicação para o Ocidente.
Assim, após esmerar-se um pouco mais, em 1958 saiu a primeira edição do Visuddhimagga em inglês. A sua tradução contém várias notas de roda-pé contendo outros comentários de outros escolares budistas posteriores a Buddhaghosa.

Assim, um dos livros mais importantes da filosofia Budista e, principalmente, dos ensinamentos do Buddha, está agora em inglês e na internet, para quem quiser baixar, ler, estudar, praticar ou deletar.
A internet viabiliza, disponibiliza muita coisa, podemos dizer tudo sem perda de generalidade. Mas também, ao faze-lo, corre o risco de banalizar e de minimizar sua importância ou seu valor.
Em todo caso, é melhor ter do que não ter, é melhor ver do que não ver, é melhor conhecer do que ignorar.
É melhor aumentar nossa consciência, para melhor formarmos nossos princípios, nossos valores, nossa Ética.
Para melhor vivermos entre nós e conosco mesmos.

Viva a internet! Viva a informação!!! Aumentemos a Luz da Conscientização!!! Viva!!!!

End of storie!

Paz e amor a todos!

terça-feira, 30 de abril de 2013

Os cães latem ....

E eu noto!
À noite os sons parecem ser mais altos, intensos, perceptíveis e até preocupantes e irritantes. Só mudou o horário e os sons, na realidade, são menos intensos do que durante o dia. Há muito o que aprender ainda.
Somos seres sensíveis, às vezes demais. Nossa sensibilidade é dependente do ambiente, do horário, da temperatura, da idade e etc à parte.
Alguns fatores parecem influenciar bem mais do que outros. 
Imagino que o medo seja o maior deles. Mas a raiva e seus derivados estão bem próximos, logo atrás. Não podemos nos esquecer da inveja, do ciúme, do orgulho, da luxúria e da avareza.
A seguir, mas não menos importante vem a vontade de satisfazer nossos desejos, de todos de preferência. Por último temos a busca por segurança e por conforto (físico ou emocional), bem como a preocupação com o amanhã e o ontem. Estes 3 últimos podem ser vistos como derivados dos primeiros.

O fato é que somos muito pouco estáveis emocionalmente. Estas, resultado dos estímulos externos ou internos e de nossa sensibilidade parecem estar sempre querendo se fazer aparecer. Nos jogando ora num lado ora no outro. Às vezes parecemos um frágil barquinho num oceano tempestuoso, sendo jogados à merce da sorte.
Na dependência da próxima onda e do destino (!?).

Não é uma situação muito agradável e disso eu tenho certeza por experiência própria. Mas, o que se pode fazer a respeito? Existe algo que possa ser feito? 
Primeiro precisamos responder a uma pergunta internamente: eu quero que esse comportamento se modifique!?
Se houver o desejo, há a motivação, o estímulo interno em busca de uma resposta. Com humildade, disciplina e perseverança pode-se encontrar possibilidades de respostas.

Uma das possíveis respostas passa pelo "controle" da mente. Mas, afinal, é possível controlá-la, treiná-la!?
Dizem que sim. Duas fontes distintas e bem diferentes: a Ciência e a Sabedoria Antiga. Tanto a Neurociência e os outros cientistas da Mente, quanto algumas escolas de sabedoria antiga como o Budismo dizem ser possível e mais, dizem ser este um caminho para uma vida mais ....feliz, plena, florescente, etc.
O problema é que este aprendizado exige muito esforço, disciplina, repetição, atenção e perseverança. É um longo trabalho, de toda uma vida. Talvez mais.

Mas esta é sempre a trajetória para o aprendizado de uma nova habilidade mais complexa. Sabemos disso de várias maneiras. Portanto parece lógico e faz sentido.

Tudo começa com o treinamento e aperfeiçoamento da concentração e da atenção plena ao momento presente, ao que estamos sentindo e pensando em cada momento, mas sem julgar e sem se recriminar. Ao fazermos isso, nossa Consciência se expande, abrindo espaço para nossa maior compreensão e para nossa maior realização das coisas como elas são.

Quem acha que precisa de ajuda, que a busque humildemente. Quem acha que não precisa, espere chegar o seu momento.

Eu acredito muito nesse caminho e, embora ainda um ser humano quase-neandertal, busco humildemente trilhá-lo. Apenas como um ser infinitesimalmente pequeno dando seus primeiros passos para fora da lama.

Ao som do fabuloso Tetsu Inoue (Ambiant Otaku), mestre do Ambient Music, encerro por hoje desejando a todos muito amor, muita paz e Luz na Consciência.



terça-feira, 19 de março de 2013

Um certo ser humano!

Olá amigos humanos!

Ao som dos pingos da chuva e das teclas mágicas e sonhadoras de Harold Budd, inicio mais uma postagem. Noturna, quando os gatos são pardos, quando as certas aves vivem e lançam seus piados ora tristes, ora soturnos e quando nossos pensamentos e imagens mentais são mais palpáveis e, talvez, profundos e pessoais.

Em todo caso, era uma vez um certo ser humano. Apenas um ser humano. Será!!?
Segundo a tradição, não a História, ele nasceu na Índia, numa família nobre, poderosa e rica, há talvez 2500 anos atrás.
Seu nome era Siddhartha Gautama e sua família pertencia ao clã Sakya.
A tradição diz (mas não prova) ainda que ele teve uma vida muito boa e "feliz" dentro das propriedades de sua família. Ele teve de tudo: carinho, afeto, desejos satisfeitos, diversão, educação privilegiada e a possibilidade de uma esposa e um filho.
Seu pai, um rei, queria naturalmente que seguisse seus passos e governasse também aquela região da Índia. Assim, sua educação foi a de um príncipe e guerreiro, além de ser super protegido das "feiuras e negatividades do mundo real", sendo impedido de sair da propriedade familiar.
Mas ele, insatisfeito com sua situação de recluso e ignorante (das coisas do mundo), acabou conseguindo escapar algumas vezes (com um acompanhante) e ir cavalgar pelas cercanias da propriedade de sua família.
Ao faze-lo, notou quatro coisas que o chocaram muito: um homem velho, um homem doente, um homem morto e um homem pobre.
Esses encontros lhe deram muito o que refletir, já que nunca tinha visto nenhum tipo de sofrimento.
O fato é que, ainda segundo a tradição, algum tempo depois, aos 29 anos, ele decidiu sair para o mundo em busca de uma solução para o sofrimento humano. 
Ao fazer isso, ele abandona seu pai, sua esposa, seu filho, seu título, sua religião, sua riqueza, seu lar, sua segurança, seu conforto, enfim tudo.
Tudo foi deixado para trás. Sua vida mudou completamente e sem exageros.
A tradição diz que ele tentou durante seis anos os mais variados métodos e gurus existentes na região para conseguir seu objetivo, ou seja acabar com o seu sofrimento, com sua ignorância.
Aos trinta e cinco anos, após abandonar a tudo e a todos, sentou-se aos pés de uma figueira e lá ficou meditando. Disse a si mesmo que só iria se levantar após ter se iluminado.
E lá ficou por algum tempo (um dia, sete dias, sete semanas, !!??). Ao desabrochar do último dia, ocorreu o que ele tanto esperava, sua iluminação.

A tradição diz que ao longo de mais 45 anos Siddharta Gautama, agora o Buddha Sakyamuni (o sábio dos Sakya), viveu propagando o que aprendeu através de discursos em várias partes da região norte-nordeste da Índia.
Com o tempo arrebanhou muitos discípulos inclusive seu pai, sua esposa, seu filho e seu primo, nos vários lugares em que esteve.

Aos 80 anos aproximadamente, falece de causas naturais e deixa mais de 500 discípulos órfãos e desamparados. A partir daí, tudo está em suas mãos, ou talvez mente, memória.
Sim, por que ninguém escreveu ou registrou nada do que foi dito em seus milhares de discursos. 
O que foi feito então!??
Segundo a tradição, logo após sua morte, foi feito um primeiro concílio onde os discípulos mais avançados discutiram como fariam para preservar os conhecimentos propagados pelo Buddha.
Concluíram que a única possibilidade era a transmissão oral de tudo o que tinha sido escutado e aprendido. 
Assim, foram eleitos três dentre eles (500) que por sua memória prodigiosa, guardaram tudo (!!??) o que escutaram em seus discursos. Suas memórias foram sendo então comprovadas por outros, conforme iam sendo ditas para todos.
Com isso, chegou-se a um consenso de três grupos de conhecimentos, cada um com informações equivalentes a 45 anos de discursos. Estes foram sendo transmitidos oralmente ao longo dos anos e dos séculos por gerações de monges.
Mas isso é praticamente um absurdo total. Alguém imaginar que se pode guardar na memória o equivalente a vários volumes enciclopédicos ou que esse conteúdo não vai se adulterar com o tempo.
Como isso pode ter sido possível!? Será que foi mesmo!?

O fato é que, a História (não a tradição) diz que após 500 a 600 anos mais ou menos, surgiram as primeiras "escrituras", os primeiros cânones budistas, o primeiro conjunto total dos ensinamentos registrados. 
Surgem também as primeiras biografias do Buddha e do Budismo. Ou seja, eles aparecem mais ou menos na época de Jesus. A partir dessa época eles vão sendo comentados, refletidos e re-escritos em vários idiomas.

Mas a questão é: seriam esses ensinamentos algo sério, com conteúdo e consistência filosóficos, à prova do tempo, das culturas, das guerras, dos reis, dos bárbaros, dos acadêmicos, dos intelectuais, dos eruditos ou seriam algo confuso, distorcido, e com sentido perdido ao longo dos mais de 500 anos de transmissão oral!!? 

A resposta, pasmem senhoras e senhores, é sim, há uma consistência, uma coerência e uma lógica que não podem ser refutados. Mesmo em nossa sociedade super materialista, hedonista, irônica e cética.
Apesar disso tudo e do meu próprio ceticismo (inicial), os ensinamentos do Buddha estão aí sendo admirados e estudados por filósofos, psicólogos, psicanalistas, psiquiatras, historiadores, acadêmicos em geral e pelo povo comum.
Por muitos que buscam (em comum) um caminho, uma solução para suas agonias interiores, suas vidas ignorantes de sofrimento, de excessos, de distrações, de apegos, de medos, de raivas, de ódios, de preconceitos, de falta de amor para dar, de falta de amor recebido, enfim de falta ou de excesso.

Para quem se interessar, lá estão eles, seus ensinamentos, sobreviventes por tantos séculos, através de tantos acontecimentos nefastos e problemas que ocorreram em vários dos países em que ele (o budismo) se encontra enraizado.
Esse é um fato. Um fato histórico, não se pode negar. Como pode acontecer, não sei. Só posso conjecturar que precisou da ajuda e do trabalho de muitas (milhares) de pessoas que, com amor, esforço, disciplina, fé, foco, sabedoria e persistência, venceram o impossível.

É por aqui que eu fico, que eu paro.
Espero um dia poder compreender!!

Beijos, paz e amor a todos.