domingo, 2 de março de 2008

Férias e retornos


02 de março de 2008

Escutando um pouco de música eletrônica espacial. Nesse caso, Steve Roach é um mestre e seu Space&Time é um bom exemplo.
Estive de férias por 20 dias e voltei no fim de fevereiro. Foi um período muito bom, de tranquilidade, relaxamento e viagens. Exteriores e interiores.
A cada novas férias sinto mais vontade de ficar e não voltar mais para o trabalho. É um fato inegável.
A vida sem compromissos, responsabilidades, desafios, imposições e ou incertezas parece ser mais fácil e agradável. Pois é, mas será que é mesmo!?
Por outro lado, quando se faz o mesmo tipo de trabalho por anos a fio, o cansaço ou o desânimo vem mesmo. Principalmente se este não acontece da maneira esperada ou imaginada pelo sujeito. Muitas coisas podem dar errado e ou piorarem com o tempo.
No entanto, quando a pessoa gosta muito do que faz, se sente útil e recompensada por seus pensamentos, idéias e ações, parece que tudo isso tende a ser minimizado e a volta ao trabalho é até ansiada algumas vezes.
Isso acontece muito com as pessoas que são idealistas, artistas ou que lidam com a saúde das outras pessoas. Estes podem sentir prazer e realização com o que estão fazendo ou criando. Isso acontece com
alguns artistas, cientistas, ou médicos, psicólogos e professores.
Mas esse comportamento também ocorre com aquele que não sabe o que fazer com o tempo livre. Não consegue fazer outra coisa a não ser trabalhar, por isso anseia voltar logo ao trabalho também. Mas não porque goste dêle e sim porque depende dêle para se manter ocupado e "saudável".
De fato, pensando bem parece as transições são mais marcantes do que os períodos mais estáveis e duradouros. Quando se passa de um tipo de tarefa ou atuação para outra completamente diferente, cria-se uma espectativa ou uma antecipação de como é que as coisas transcorrerão na nova atividade.
Será que será bom? Será que serei capaz? Será que terei tempo suficiente para realizá-la a contento?
São muitas as perguntas que são geradas em nossas mentes. Se nós a deixarmos tomar conta de nossas ações, tendemos a cair num estado de nervosismo, de insegurança, que pode se transformar em estresse.
Quando as transições são rápidas no tempo ou quando as atividades não são tão diferentes assim, esse estado de desequilíbrio é fraco e passa rápido. Em caso contrário, as coisas podem ficar bastantes ruins e levar a pessoa a se desequilibrar de modo profundo e duradouro.
De fato, o desequilíbrio acontece basicamente porque imaginamos como poderá ser nossa experiência no futuro, antes de ocorrer. Criamos algo que não existe ainda. Essa criação nos perturba e não nos deixa em paz, ou seja não sai de nossas mentes.
Nossas mentes nos perturbam quando deixamos que elas nos controlem. Os pensamentos vêm e vão, como folhas ao vento ou como as nuvens num céu tempestuoso.
São incontroláveis. Mas, podemos não ligar para eles, não lhes dar crédito ou não julgá-los.
Podemos apenas observá-los sem deixá-los nos perturbar ou influenciar.
Se conseguirmos nos desligar de nossas mentes de vez em quando, principalmente nestas ocasiões tempestuosas, estaremos mais presentes e fortes no momento para vivenciá-lo plenamente.
Quando conseguimos viver plenamente um momento, não deixamos muita margem de ação para nossa mente. Agimos espontaneamente e seguimos nosso caminho na vida, seja ele qual for.
As férias são muito boas, mas podem ser tediosas. Depende de nós e de nossa mente.
O trabalho pode ser prazeiroso, realizador ou, ao menos satisfatório. Por outro lado pode ser tedioso e estressante. Um verdadeiro pesadelo. Depende também de nossa postura interior e do modo como vivemos nossos momentos e de quanta importância damos aos pensamentos que trafegam em nossas mentes.
Fiquemos em paz em nossos corações, nosso sentir, nossa intuição e nosso espírito.
O que importa é ser AGORA!

Abraços carinhosos e paz profunda!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Férias & Trabalho

São 11:17hs de 08 de fevereiro de 2008



Estou ouvindo "The Perfect Flaw" do Tim Story, que é uma das melhores obras artísticas do gênero da "Ambient Music". Simplesmente maravilhosa! Vale a pena buscar na internet. Tente!

Eu deveria estar trabalhando neste horário, mas estou de férias. Obaaaaa!!
Estar de férias, em um lugar agradável descansando, é muito gratificante. Eu me sinto livre (dos compromissos de ter que...) e mais solto (a tensão da responsabilidade diminui muito).
Voce, enfim, pode fazer o que quizer, na hora que desejar. O que voce tiver planejado ou tiver vontade no momento.
De qualquer forma existem decisões a serem tomadas e aí é que mora o perigo.
Voce pode simplesmente não querer fazer nada, ficar no ócio total, largado na cama ou na rede, assistindo TV, ouvindo música, lendo um livro. Maravilha!
No entanto, se voce fica assim por mais do que um certo tempo, voce começa a se questionar se "deveria" estar fazendo alguma coisa "de útil". Esse sentimento pode se transformar num fardo se deixarmos que vá muito longe sem uma resolução, para um lado ou para o outro.
Mas o mais importante é voce estar curtindo o que voce está fazendo (não importa o quê), se sentindo bem, vivenciando seu período de descanso com leveza e satisfação plena.
Parece que todos nós gostamos de dizer que, nas férias, só fazemos coisas que nós gostamos, que faríamos sempre que tivéssemos mais tempo de folga. E que é o tipo de coisas que faremos quando nos aposentarmos.
Se voce for uma pessoa que gosta de fazer planejamentos, então suas férias podem ser viagens para lugares interessantes, eventos diferentes, para sua cabeça mudar de foco.
Neste caso, a ênfase não pode ser muito grande no planejamento da coisa toda, porque senão (alguém já disse) vira trabalho outra vez.
Nas férias devemos descansar o corpo e a cabeça, se desatrelar da mente um pouco e vivenciar mais as coisas do espírito, como a intuição, as artes, a introspecção e mesmo os exercícios físicos.
Mas o que eu penso mesmo é que nós deveríamos estar em férias sempre, inclusive no período do trabalho.
Nosso trabalho deveria ser tal que pudéssemos vivenciar todas essas experiências do espírito, ou que usassem mais o hemisfério mais intuitivo do cérebro.
Deveríamos vivenciar nosso trabalho de uma forma mais gratificante para nós, mais plena e sem comprometimentos demais. Sem pesos em nossas costas por conta de nossa baixa auto-estima ou falta de confiança.
Deveríamos exercer mais nosso direito de realizar um bom trabalho, com gosto e criatividade e sem tensões (internas). mesmo que as tensões externas existam, que as pessoas à sua volta estejam mais desequilibradas e que o tempo e os recursos existentes sejam escassos ou limitados, acho que podemos ser melhores, mais leves e ter um ambiente de trabalho mais prazeiroso e criativo se, pelo menos nós gostarmos do que estivermos fazendo e se nós estivermos inteiros naquilo enquanto estivermos realizando.
Nosso modo de ser conosco mesmo e com os outros também é um outro importante fator que ajuda na criação de um melhor ambiente interno (a nós) e externo, cuja propagação é benéfica a todos.

Quero fazer o melhor possível enquanto estou trabalhando e dessa forma sei que farei o melhor possível também quando estiver em férias.

Podemos ser melhores através do exercício das coisas boas, do cultivo dos bons hábitos !!?

Paz e felicidades profundas a todos,



quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Quem somos nós!?

09 de janeiro de 2007, 20:53hs



Estou ouvindo algo como sempre. Desta vez é "A conversation in the train" do album "Green Glass" do ótimo Tim Story.
É impressionante como eu gosto do estilo de música que êle faz. É tão calma, suave e instigante. Me faz muito bem.
Sou privilegiado por poder ouvir estas obras de arte. Eu agradeço e aproveito.

Sim, eu aproveito e busco meu proveito nas minhas buscas e vivências nesta oportunidade que me foi dada. Sou muito feliz com o que sou e com o que posso ser.
Mas o que é que eu posso ser nesta vida? Qualquer coisa que eu quizer?
Vamos ficar apenas com o extremo positivo.
Posso ser desde um atleta olímpico até um grande violinista, passando por um grande cientista ou um grande estadista? Acredito que sim, mas desde que começasse desde bem pequeno a ser educado e criado (ou habituado!!) a se comportar como tal e a aprender tudo que fosse necessário.
Acho que temos essa capacidade, mas também acho que dependemos de outros que estão à nossa volta quando somos pequenos e incapazes de sobreviver sózinhos.
Dependemos de nossas famílias e nossos professores até uma certa idade, digamos 15 anos só para termos uma premissa. A partir daí, poderíamos seguir por nossa conta em nosso desenvolvimento como ser humano.
Para onde iríamos seguir em nosso desenvolvimento? No que estamos interessados? De que somos capazes? São tantas as possibilidades que podemos facilmente ficar indecisos.
E é isso que acontece com a maioria de nós. Não sabemos bem o que escolher, o que buscar, que acabamos indo numa direção média da maioria.
Poucos são aqueles que conseguem seguir um caminho diferente daquele ditado pelo senso comum: escola, mais escola, faculdade, emprego, família, filhos, mais trabalho, ..., fim do trabalho, fim..., ou recomeço.

Não que seja um caminho errado, mas não é tão consciente assim, não é!? Mesmo assim, alguns de nós consegue "dar certo", ser "feliz", "ser bem sucedido", mesmo seguindo o caminho médio, tradicional, meio às cegas.

Por outro lado, é tão difícil de seguir um caminho diferente desse que é até difícil de pensar em alternativas.
Talvez alguns artistas, os religiosos verdadeiros e alguns desajustados, marginais da sociedade tenham tentado percorrer caminhos alternativos.
O que eles teriam em comum? Idealismo, força de vontade, forte motivação, visão clara do objetivo, vocação, forte crença em seus sentimentos, sua intuição?
São aspectos humanos que reconhecemos e já tomamos contacto em maior ou menor gráu, mas que não os usamos na plenitude que poderíamos.
Essas poucas pessoas acreditam num ideal (como se diz de maneira simplificada) e o buscam com uma persistência, força de vontade e uma
forte consciência de seu caminho a seguir.
De onde vem isso, meu Deus. Se eles têm, todos temos!
Por que para eles é tão claro, ou tão motivante? Parece que eles estão mais focados nos seus atos, no seu ser. Têm mais consciência de si mesmos, de suas características físicas, psicológicas, suas emoções, seus sentimentos, seus mêdos e desejos.
Parecem estar mais acordados na vida. Estão vendo melhor os caminhos a serem seguidos, as oportunidades que surgem no seu ambiente externo e interno.
Escutam melhor a si mesmos e aos outros. Conhecem-se melhor.
Mas por quê eles e não eu?!? Não sejamos trágicos, sejamos otimistas, positivos e, eventualmente práticos.
Se essa clareza de visão está ao seu alcance, então também está ao nosso, pois somos feitos no mesmo molde e do mesmo material.
Podemos não te-la de imediato, termos mais dificuldades, mas a possibilidade está lá para ser alcançada. Podemos fazê-lo, basta querer e dar os primeiros passos na direção.
Na direção do auto-conhecimento, da busca de nós mesmos. Colocar cada vez mais o foco de nossa consciência em nossos atos externos e em nosso mundo interno.
Buscar nossas raízes, nosso centro, nossa essência.
E isso é muito prazeiroso, muito gostoso, muito gratificante.
Aprendemos sobre nós mesmos com nossas experiências, nossos relacionamentos, nossos atos em geral.
Sempre que nos colocamos por inteiro, com honestidade e autenticidade numa situação estamos nos conhecendo melhor.
Basta sermos e acreditarmos no caminho. O primeiro passo é sempre o mais difícil.
Mas eu consigo, nem que demore algumas vidas.



Beijos fra-e-ternos,

domingo, 6 de janeiro de 2008

Algumas poucas palavras!

20:48hs, 06 de janeiro de 2008



Ouvindo a trilha sonora do "Good German". É do Thomas Newman, filho do Alfred Newman e sobrinho do Lionel e primo do Randy Newman. Nossa que família musical.
Gosto bastante de suas trilhas. São sempre belas e climáticas.

Hoje a Maíra achou uma cartinha que meu pai lhe escreveu quando ela completou 12 anos. Foi um daqueles achados que acontecem meio sem querer, no meio de mais uma
arrumação anual de seus pertences no seu quarto.
Ela leu novamente, gostou e mostrou para a Eneida e depois para mim.
Quando eu a lí, pude perceber claramente a alma poética e sensível de meu pai alí totalmente desnudada e alegremente explicitada naquele pedaço de papel.
Eram palavras de muito amor, muita alegria e pureza daquele ser humano que, naquele instante, estava em sitonia total com sua alma e, por isso, conseguia expressar todo seu amor e felicidade que sentia por seus netos e seu filho.
Em sua vida terrena ele poucas vezes conseguiu se expressar dessa forma com seus filhos, entes queridos ou semelhantes.
Foi preciso um pedaço de papel e uma data que lhe era importante para que ele conseguisse alcançar essa inspiração divina. Para que ele pudesse entrar em ressonância com seu eu interior e deixar que seu amor fluisse através de suas palavras.
Ele sempre gostou de escrever, embora nunca tenha conseguido realizar uma carreira ou mesmo um hobby nessa atividade. Somente em seus últimos anos de vida, quando começou a ficar mais interiorizado, foi que começou a escrever um pouquinho.
O fato de ter facilidade para escrever e gostar de atividades que mexiam com palavras, mostram para mim hoje que essa era um tipo de ação que era importante ser desenvolvida, era importante se aprofundar nela, pois ela lhe levava a suas profundezas mais puras e ternas.
Ela provavelmente o levaria a ter uma vida com mais paz de espírito, com mais auto-estima, com mais amor para dar, com mais felicidade.
Mais próximo do que sua alma desejava.
Ainda bem que, pelo menos durante algumas vezes, no fim de sua jornada ele conseguiu esse contacto especial com sua parte mais inocente e viva. Nesses momentos, tenho certeza, ele esteve em paz consigo mesmo e com o mundo.
Com isso eu aprendo a lição e reforço meu empenho em busca do caminho e das ações que me levam cada vez mais próximo da minha alma e da minha paz de espírito.
Meu pai teve sua chance atual e conseguiu expressar um pouco de seu amor por suas pessoas queridas e pela humanidade através de suas poucas palavras.
Vou em busca do meus instrumentos ou de minhas habilidades para realizar algo semelhante, mas quero buscar a partir de agora!
Pensemos um pouco nas coisas que mais gostamos de fazer, nas habilidades que sabemos ter e que sabemos que os outros gostam em nós. Aquelas que sensibilizam a nós e a todos.
Essas são nossas armas para levar a paz e o amor ao mundo, exatamente o que nossas almas desejam.


Amor refletido no sorriso e no olhar!!

abraços e beijos de paz profunda a todos,


domingo, 30 de dezembro de 2007

Um livro, um amigo!

11:10hs, 30 de dezembro de 2007



Acabei de reler Sidharta do Hermann Hesse. Foi a segunda leitura. A primeira foi feita lá pelos meus vinte e poucos. Não me lembro do que sentí na época. É um branco total.
Mas o que importa é o que sentí agora.
Hoje tenho o dobro da idade, portanto minha experiência de vida, minha passagem como ser humano neste mundo da gravidade, da inercia, dos mêdos e dos desejos, aumentou bastante.
Este ano foi para mim uma espécie de ponto de mutação. Estou me preparando para uma transformação possível. Mas, como tudo que faço,
esta também está sendo feita de maneira lenta e gradual. Sentindo os degraus, buscando os sinais internos e externos.
É como se estivesse me preparando para uma nova etapa que se aproxima. Por isso mesmo, já há alguns anos e mais intensamente durante este,
aumentei minha busca interior, minha carga de auto-exploração.
Sentí vontades claras e tomei ações diretas para me comprometer mais com essa busca de todos pelo significado maior de nossas vidas.
Uma das ações foi ter lido alguns livros especiais. Um dêl
es é esse que conta a estória de vida do personágem Sidharta. Ele é muito interessante para muitos de nós que estamos , no momento, buscando algo um pouco mais profundo na vida.

Sidharta é um filho de classe média-alta na Índia, na época do aparecimento de Gautama, o Buda.

Por isso mesmo, Sidharta tem uma educação cultural e filosófico-religiosa acima da média. Mas, ele próprio já é um indivíduo com um poder de aprendizado e curiosidade pelos mistérios da vida, acima da média. Ele está sempre buscando aquele algo mais que possa fazê-lo feliz, pleno, preenchido totalmente.
Começa sua busca, naturalmente, através da ações e dos hábitos adquiridos e impostos pela educação de seus pais. Por isso se torna um grande erudito na filosofia e na religião, sendo grande debatedor de conceitos filosóficos, gra
nde filho e amigo. As pessoas o adoram, ele é simpático e bonito. Pode ter grande sucesso com as mulheres e na vida profissional em geral.
Mas, sua ânsia de aprender é tão grande quanto sua ânsia de preencher seu buraco existencial. E nada de seu meio o satisfaz. Assim, ele sai para o mundo em sua busca pela completude.
Em sua trajetória tem a oportunidade de trabalhar seu orgulho, seus mêdos, seus desejos e, finalmente seu apego. Além disso, tem encontros e vivências com pessoas muito especiais, conhecidas ou não que o ajudam nesta trajetória.
É muito interessante o autor colocá-lo frente a frente com o Buda num curto mas muito elucidativo diálogo, onde o excesso de busca pelo significado abstrato das coisas, ou o excesso de inteligência é dito ser um problema, um entrave na busca maior.
Enfim, o livro finaliza de uma forma bastante satisfatória, agradável e, talvez até, um pouco surpreendente.
Esta releitura me fez encaixar algumas pequenas peças no meu quebra-cabeças pessoal. Ela não me levou ao meu Nirvana, mas me ajudou a abrir mais meus olhos e sentidos espirituais e a buscar um contacto maior com meu lado mais humilde e simples, deixando um pouco de lado minha parcela orgulhosa.

Bom, é isso! É apenas um livro. O importante é o nossa sintonia com seu conteúdo e seu papel como catalizador de ações.
Os livros podem ser muito importantes. Muito mais do que imaginamos.


Um bom ano a todos. Abraços fraternos.


domingo, 23 de dezembro de 2007

Já é Natal de novo!!

10:59hs, 23 de dezembro de 2007



O som é Blue Moon de Rodgers e Hart com Billie Holiday e é domingo de manhã, o período da semana que eu mais curto. Tranquilo, suave, leve. Menos gente acordada tem seus benefícios.

Bom, mas a realidade é que já é Natal outra vez. O tempo passa depressa. Todos têm notado sem distinção de idade. Eu acho que é a quantidade de coisas interessantes que temos à nossa disposição hoje em dia.
São muitas alternativas de lazer, de aprender, de comprar e até de buscar um caminho mais interior, reflexivo. Muitas religiões, muitas filosofias de vida, muita auto-ajuda.
Uma das palavras cujo significado parece ter muito a ver com os tempos atuais é "excesso" (nossa, escreví sem olhar no dicionário!!).
As várias opções de tudo nos dá muita liberdade de escolha, de poder buscar o mais prazeiroso, o mais confortável, o mais saudável, o mais adequado para nós em, praticamente, qualquer atividade de nossas vidas.
Isso é muito bom, é algo que nós ansiávamos no passado e que, naturalmente, fomos buscar com nossa engenhosidade.
Por outro lado, como tudo na vida, esse estado de fartura tem seu lado negativo. O excesso pode nos deixar confusos, indecisos, superficiais, ansiosos (de novo!?), sem foco, com pouca concentração nas coisas que fazemos e, principalmente, sem atenção no momento presente.
Ou seja, as coisas em si, os momentos que vivemos, as mudanças por que passamos não são boas ou más.
Esse julgamento é quase sempre feito a posteriori e depende essencialmente de nós mesmos, de nossa percepção da realidade e de nós mesmos, da intensidade de nossa dependência de nossos desejos e mêdos, de nossa atitude perante a vida e de nosso desejo de seguir em frente.
Sempre foi e sempre será assim. Essa é uma das poucas certezas que eu tenho, a de que quando o homem consegue "estar de bem" consigo, com os outras e com a vida, sua percepção de bem e de mal muda completamente. Ele passa a compreender melhor tudo que está vivendo e se deparando. Entra em harmonia consigo e com o mundo a sua volta.
A partir desse momento, começa a servir melhor a si mesmo e ao próximo. Mas esse momento só chega depois de uma longa estória de erros e acertos, de experiências doloridas ou não e de busca de algo mais significativo dentro de nosso silêncio interior.
Foi esse o caminho dos grandes avatares de nossa história. Todos passaram por sofrimento, dúvidas e quedas. Mas todos persistiram em sua busca interior durante a maior parte de suas vidas. Até que um dia eles conseguiram alcançar sua maestria.
A partir desse ponto, passaram a servir melhor ao resto de nós.
Prossigamos nós, então, em nossas jornadas em busca de nossa maestria com fé, disciplina
, atenção e alegria.
Um dia também chegaremos lá. E lá já é aqui!!

Um Natal de reflexões e alegrias entre os seus queridos é o que eu desejo.



Beijos e abraços fraternos,

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Como e porque as coisas funcionam!!

21:04, 13 de dezembro de 2007

Alvorecer ou anoitecer!?


"Outside Silence" de R.Guthrie e H.Budd, ambient music

Conversando com a Eneida outro dia, durante um almoço gostoso no Aulus, surgiu a questão do por quê que certos relacionamentos davam certo por um longo período enquanto, talvez, a grande maioria não!
Não houve tempo nem capacidade para uma conclusão, é claro. Mas aquilo suscitou algumas reflexões em mim.
Eu e meus amigos engenheiros sabemos como e porque certas coisas tecnológicas funcionam. Treinamos muitos anos para isso. Conhecemos alguns princípios básicos que fundamentam seu funcionamento.
Isso nos trouxe uma confiança, principalmente depois de muitos anos de erros e acertos, que nos permite até fazer algumas previsões de futuros prováveis e limites tecnológicos.
Mesmo assim, estamos longe de dominar a questão de maneira abrangente. Temos que nos limitar a algumas áreas de conhecimento.
Os engenheiros mais competentes conseguem ter visões mais abrangentes e ter conhecimentos mais aprofundados sobre vários tipos de tecnologia.
Esse é o conhecimento das ciências exatas.

Nos relacionamentos humanos, as coisas são bem mais complexas. As duas ou mais pessoas são diferentes entre si em vários aspectos. Seja o modo de enfrentar as dificuldades, a maneira de olhar para a vida, o modo de demonstrar e receber afeto. São muitas as variáveis, os campos e as características pessoais que podem ser diferentes.
E as pessoas têm muita dificuldade em saber quem realmente são e, também, quem são seus pares. Então como é que podem dar certo, como é que podem funcionar os relacionamentos humanos??

A resposta deve passar pelas capacidades que o ser humano tem e que o resto da natureza não tem, ou que pelo menos, pensa-se assim.
Ao meu ver, o ser humano tem algumas características que tornam possível se relacionar com a natureza externa e interna a si mesmo.
Ele é capaz de ser empático e sentir o que o outro está sentindo. Isto lhe dá uma grande ferramenta para identificar as carências do seus próximos.
Ele é capaz de ser tolerante, compreensivo e de dar a sua total atenção a quem lhe solicita.
Ele é capaz de ser terno, gentil, afetuoso e solícito aos outros e, assim, promover uma convivência suave, pacífica, feliz e positiva.
Ele é capaz de sentir emoções suaves e profundas que o aproximam dos outros e fazem com que esses, por sua vez, percebam esses sentimentos e possam retribui-los provocando uma reação em cadeia muito poderosa.
Todas essas características e muitas outras estão à disposição dos seres humanos para que eles possam se ajudar, se relacionar, se amar, enfim conviver.

Assim, é compreensível que alguns relacionamentos dêem certo. Poderia até se esperar que muitos fossem bem sucedidos.
No entanto, não é bem o que acontece. O que acontece, possivelmente, é que, infelizmente, o ser humano também é capaz de se deixar dominar por seus mêdos e desejos e isso acaba criando uma dependência grande dessa "adrenalina" que sempre quer ser satisfeita, seja pelo prazer, seja pelo terror.
Um véu, como muitos já o disseram, parece ser criado na mente humana e este faz com que o homem passe a ser quase incapaz de sentir ou de entrar em contacto com suas características mais positivas.
É preciso retirar esse véu! Voltar a exercitar os sentimentos mais suaves, pacíficos e amorosos. Isso significa romper com as algemas dos prazeres, dos mêdos, da violência, da competitividade, da busca do poder e do egoísmo desenfreados.

Mas isso tem que ser conquistado de dentro para fora. Buscando o caminho do meio como uma natureza interior.

Será que vamos conseguir!?
Sim, com certeza. Só precisamos de um tempinho!!

O que vc disse!!?

abraços e bjs frá e ternos,