quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Um cachorro e sua família

Ao som de Pat Metheny (First Circle) e ao cair da tarde, num clima chuvoso, mas ainda com grande atividade dos pedreiros próximos e outros trabalhadores.
A música me anima. Certas músicas me animam muito e essa que ouço agora (Praise) é certamente uma delas.
Mas, nem tudo é animação. Hoje, quase agora, morreu uma de nossas cadelas, a Poddle, cujo nome era Tammy. Foram quase 14 anos, ou mais, de convívio.
Um convívio, na maioria das vezes, calmo, prazeiroso, amigo e leal, claro. Ela era uma cadela com inteligência acima da média dos cachorros que eu tive o prazer de conviver.
Aprendia as coisas com facilidade, era dócil e quase nem latia. 
Em compensação essa outra que aqui ficou, uma Dashhound ou Teckel (uma Cofap), late pelas duas ou mais. Mais essa é outra estória.
Hoje, a história é toda da Tammy, sua leveza e sua doçura. Todos gostavam dela aqui em casa. Bom, talvez a Teckel, nem tanto, apenas aceitava.


Mas a Tammy era a favorita da maioria da família. Minha propriamente não era, mas gostava dela, o que era muito fácil. Seu jeito dócil, talvez tenha sido estruturado e definido também pelo fato dela ter tido duas cadelas Teckel em seu convívio, o que a deixou como cachorro seguidor e não lider. 
As Teckel sempre assumiram o papel de cachorro Alfa e lá estava ela relegada ao segundo plano. Seus primeiros latidos eram sempre abafados logo em seguida, suas idas e vindas pela casa eram como que "vigiadas" e analisadas.
Mas ela sempre se adaptou com maestria a esse papel, o que mostra sua inteligência.


Acompanhou meus filhos da adolescência em diante, teve uma convivência bastante próxima e afetiva, principalmente com minha filha Maíra e minha companheira de vida Eneida. Elas devem sentir mais essa perda.
As perdas só existem porque nos acostumamos a achar que as coisas são nossas ou que devem durar para sempre, principalmente aquelas que nos dão prazer, carinho, nos fazem companhia, nos dão amor incondicional e não nos pedem nada em troca.
A perda é uma das lições mais duras dessa vida neste planeta onde reina a lei da Gravidade e a da Inércia.


Temos muita dificuldade em aceitar certas perdas e sofremos por quase todas. É normal, dizem. Mas a paz de espírito também é normal e poderíamos acessa-la quando quizéssemos.
De qualquer forma temos muito a aprender antes de chegarmos à maestria, à nossa divindade interior, à nossa Luz maior. Acredito numa vida de amor, de carinho, de diálogo, de amizade e de paz.
Acredito que tudo isso nos leva adiante, para cima e para dentro de nós mesmos. Acredito no relacionamento humano e no diálogo, no respeito, no amor, na tolerância e na aceitação para mante-lo e aprofunda-lo.


O cachorro nos dá tudo isso e mais, sem nada pedir em troca. A não ser talvez comida, nossa companhia (de vez em quando) e um teto.
A Tammy foi assim e assim se foi. Desta para a melhor. Hoje, quase agora, eu a enterrei no nosso quintal. Foi a terceira.
Voltou para a terra e para o universo. Na hora em que fechava a cova com as primeiras pás de terra, veio até mim um querido sentimento ao qual me agarrei e vivenciei. Um sentimento de despedida e de entrega.
De entrega ao Universo daquele pequeno ser que durante alguns poucos anos alegrou tanto os corações dessas pessoas.


Obrigado Deus por esse relacionamento e por pode-lo encerrar apropriadamente.


Ela se foi, mas o Pat Metheny e nossos corações continuam buscando alegrias, paz e amor.


Beijos e paz profunda a todos.







domingo, 29 de agosto de 2010

Uma experiência qualquer

Ouvindo Klauss Schulze, música eletrônica da gema, além de germânica. Sempre climática e viajante, o que para um quase pisciano satisfaz a todos os sentidos.
Mas a vida segue e nós junto no seu fluxo rumo ao destino misterioso, que no fundo é o mais importante de tudo.
Foi certamente após 1955, porque ele já sabia andar cambaleando, porém com desenvoltura. Vivia sua vidinha conforme mandava sua alma. Não estava muito afastado dela ainda, embora já tivesse passado por uma experiência traumatizante aos dois ou três meses de vida. 
Uma daquelas que se vive nos hospitais, quando as feições dos médicos e dos pais demonstram dúvida e medo quanto ao destino do paciente. Mas ele passou por essa sem "muitos" arranhões físicos.
Não fosse sua mãe, teria tido o mesmo destino de seu irmão mais velho, falecido aos três meses.
O fato importante porém, nesta história, é que lá estava ele todo feliz e contente em sua empolgação limitada, ao lado de sua querida mãe e seus amigos numa reunião de famílias ao ar livre.
O tempo estava quente, havia um céu azul bonito com sol e sem nuvens. O cenário era bonito, junto à natureza, com direito a várias árvores, arbustos, vegetação rasteira e uma lagoa. 
Para ele, o mais bonito era a lagoa, uma quantidade de agua nunca vista e uma beleza misteriosa e sua forma variável e seus reflexos brilhantes pelos raios solares. A lagoa lhe era desconhecida, não sabia "como funcionava".
Já tinha chegado perto dela com sua mãe e visto que era de água, mas diferente daquela que conhecia e que bebia. Esta era esverdeada e turva, não permitindo que seus profundos mistérios fossem expostos. 
Isso, naturalmente, mexeu com ele, intrépido aventureiro que já tinha feito mil e uma para descobrir os porques e os comos. 
Assim que, de repente, ele se viu andando rumo à lagoa, porém agora sozinho. Sua mãe havia lhe dito para não faze-lo porque podia ser perigoso, mas o que seria isso!! Era preciso descobrir.
Por algum motivo cósmico, ninguém estava olhando, distraídos pela conversa e a alegria natural do encontro entre amigos, principalmente ao ar livre.
Portanto, lá vai nosso amiguinho, já com seus 3 aninhos ou anões, caminhando célere e arteiro rumo ao seu destino de descobridor,  de pioneiro, rumo ao desconhecido.
Ao entrar com seu pésinho na água, sentiu-se molhado e refrescado. Gostou e foi mais um pouco, movido pelo encantamento. Deu mais três passos, olhou os lados, sentiu suas canelinhas molhadas e refrescadas e gostou ainda mais.
Querendo mais, foi mais um pouco, mais um pouco e....., de repente, seu pé não sentiu mais o fundo da lagoa. Perdeu o equilíbrio e afundou com tudo.
Primeiro foi até divertido, pois afundou completamente e se molhou por inteiro. Estava surpreso, mas até então empolgado e alegre. 
Mas bastaram alguns segundos nesse estado para começar a beber água e a lutar para voltar. Queria voltar, a brincadeira já não estava mais interessante. Por mais que se debatesse com suas roupas molhadas e pesadas e sua falta de coordenação, não conseguia nada a não ser se cansar.
Começou a ficar nervoso, com medo e descontrolado. Sua força de vontade não o ajudava mais em nada. Sua ignorância das coisas também não!
Assim foi que se cansando mais e mais, foi afundando e afundando enquanto a luz solar que penetrava alguns metros foi ficando cada vez mais esmaecida.
O mundo lá fora foi ficando cada vez mais distante, os ruídos externos desaparecendo e o silêncio da lagoa prevalecendo cada vez mais.
Já estava num tal estado em que o descontrole e o medo, que já não ajudavam fazia tempo, começavam também a diminuir, a desaparecer. Foi aparecendo então uma outra sensação, uma de uma certa tranqüilidade, de amortecimento dos sentidos, de paz total. De harmonia com o ambiente aquoso. Estava indo embora desse mundo e estava, agora, gostando. Estava até querendo, ansiando. Aquela luz do sol, agora lhe parecia algo mais, algo mais coerente, focado, chamante.
Estava indo para ela e era o que queria agora. 
Foram apenas segundos, porém para ele durou mais com certeza. Sua atenção ao momento presente foi multiplicada por 100 ou 1000. 
Lá estava ele quase curtindo sua partida deste mundo, quando algo grande e poderoso lhe apanhou pelos cabelos e o puxou rapidamente para cima.  De volta para a vida neste mundo. 
Tossiu muito, cuspiu bastante água para fora de si. Foi o preço da viagem de quase morte. Ouviu muita gente falando com ele, algumas pessoas chorando, mas sentiu que estava bem. E estava de volta para esse mundo e melhor, de volta para o colo de sua mãe.
Naquela época, não tinha coisa melhor. Foi se acalmando e tudo voltou ao normal. As aflições e os medos ficaram para traz, ele voltou a este mundo.
Mas não esqueceu da experiência, de tudo o que vivenciou e sentiu. Só ele sabe o que passou, o que sentiu e o que lhe ficou em sua alma. A presença ea força de sua mãe, e seu amor por ela ficaram gravados eternamente.
Ele ainda hoje, 53 anos depois, ainda sonha com ela e pergunta: o que foi tudo isso? para que tudo isso?
Ele não sabe a resposta, só sabe as perguntas.
Ele é apenas um ser humano que quer saber, como todos.
Ele, sou EU!


bjs fra-e-ternos,

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sobreviver!

Boa noite fria! 
Ouvindo o som espacial de guitarras de "Clive Wright", "Hammock", Harold Budd" e outros no programa 911 do site Hearts of Space (www.hos.com), com música New Age e adjacencias.
Música climática e tranquila, que é o que eu curto, principalmente 'a noite.
Tranquilidade e paz. Que maravilha é quando nosso interior, nossa alma está plena de paz e harmonia.
É, mas nem sempre é assim, não é mesmo!
Às vezes, sentimos raiva, temos momentos de fúria, ou seja, somos agressivos, violentos e enfrentamos o que nos aparece. E às vezes, muitas vezes aliás, temos mêdo, fugimos ou nos escondemos.
E curiosamente, em algumas ocasiões esse mêdo aparece fantasiado de raiva, de agressividade. Que curioso hein!!
Sim, temos essa dualidade de sentimentos básicos, extremos. Acho que é nosso instinto de sobrevivência, uma força motivadora essencial para podermos viver o maior tempo possível. Ele nos dá força interior e energia para seguir adiante, coragem e persistencia para superar os obstáculos do caminho. Conforme ganhamos inteligência e conhecimento, essa mesma força nos estimula a procurar por soluções mais seguras, controladas, mais permanentes e até mais confortáveis. 
Com o tempo vamos desenvolvendo capacidade de organização, planejamento e de criação, de engenharia. Mas, ao mesmo tempo que conseguimos realizar as coisas que buscamos para nosso conforto, nossa segurança e nosso deleite, aparece o outro lado da moeda: o mêdo de perder tudo.
É a mesma moeda e seus dois lados: a força para lutar, construir, criar, controlar e possuir e o mêdo de perder o que lhe dá conforto, abrigo, prazer e segurança. 
Não há como sair desse círculo vicioso, a menos que mudemos totalmente nossa percepção do mundo, de forma que passemos a entender cada momento como sendo único e perfeito sempre.
Não importa o que dele nos aconteça. Não importa o que aconteça, estamos sempre prontos a reconstruir, a se levantar e a prosseguir no caminho rumo à luz.
Nesse ponto, onde tudo entendemos como sendo nada pessoal e sim eventos da vida que têm um propósito inteligente e que nos ajudam a sermos cada vez mais plenos, nesse ponto, estamos em harmonia com o Universo exterior e interior.
Nesse ponto, o sol continua nascendo, as guerras e os furacões acontecendo, enquanto nós prosseguimos nossa jornada rumo à luz. 
A dúvida então é como chegar a esse ponto. Dizem que qualquer caminho leva até ele, mas não sem sofrimento, dor, raiva, alegrias, prazeres, mêdos e deleites.
Dizem que cada passo do caminho é o objetivo final. Em cada momento está contido o conhecimento total.
Que cada momento deve ser vivido como se fosse o último. E é! O outro já não é o mesmo.
Nossa consciência, então, deve ser desenvolvida de modo a abranger todas as nuances e características de cada momento. 
Consciência é atenção plena mais conhecimento mais sabedoria. Podemos começar então pela atenção e prosseguir em seguida com os mais difíceis.
A atenção plena, dizem, vem pela meditação. 
Meditemos pois. Busquemos dentro de nós a paz e nossas capacidades mais sutis e plenas.


Paz profunda

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Uma questão de gosto!!

Aqui novamente!! Ouvindo Steve Hackett (Voyage of the Acolyte de 1975), ex-guitarrista da fase áurea do ex grupo de rock progressivo Genesis. Eu curto bastante, mas sei que é uma questão de gosto.
Curioso, mas isso me dá uma sensação de não poder compartilhar com todos um sentimento de prazer, uma alegria sentida, ou até um júbilo na alma.
Apenas uma reflexão sobre a fragilidade do ser humano que se acha incompleto e deseja compartilhar seus prazeres, suas alegrias, mesmo seus temores com todos, mas não consegue.
No máximo, pode contar a respeito, ou pode perguntar se outro compartilha de seu gosto artístico. E arcar com as possíveis negativas e/ou críticas.
Faz parte de nosso aprendizado de que estamos sózinhos, apartados de todos, exceto de nosso interior, nosso Eu Maior, nossa alma. Em busca de nossa felicidade.
Além disso, podemos olhar para outro como alguém que busca a mesma coisa, ou seja nosso olhar pode se tornar mais compassivo, por sabermos que ele também sofre e busca uma felicidade que não sabe exatamente onde encontrar.
Esse olhar com outra percepção pode fazer com que nos tornemos mais próximos uns dos outros, pois no fundo, como já foi dito por muitos, todos somos um, somos iguais em nossas buscas, em nossas alegrias e dores.


Escrever é bom para mim, porque consigo me expressar melhor e me ajuda a descobrir mais coisas em mim. Eu tenho mais tempo de refletir e de melhorar a mensagem passada para mim e para o outro. Essa é, eu acho, uma atividade muito importante nesse mundo em que a telepatia ainda não é "muito utilizada".
No fundo, vivemos fazendo isso, passando mensagens/sentimentos de amor/ódio para os outros. 
O máximo de contato e troca que fazemos com o outro é o sexo, onde experimentamos algo único e transcendental. É uma experiência que buscamos repetir muitas vezes, fazendo sexo ou de outros formas, com drogas, criando arte, ou participando de experiências vivenciais sempre profundas.
O que desejamos é transcender nossos limites corporais, fundir-nos no outro ou no universo, talvez nos transformar em energia. Talvez nos preparando para o que vem depois da morte.


Por falar nisso, ontem assisti ao filme "Encontro Marcado" do Martin Brest e com Anthony Hopkins, Claire Forlane e Brad Pit (no papel da Morte). Tinha me esquecido de quão bom este filme é. Muito sensível, romântico e reflexivo.
Completamente recomendável, mas já antevendo a reação de alguns, é claro que é uma questão de gosto.
Como tudo e como nada!


Fico por aqui. 
Ao som do, ainda muito bom, Steve Hackett (Shadow of the Hierophant), desejo-lhe muito amor, muita paz e felicidade nesta vida.



segunda-feira, 19 de abril de 2010

Com o passar do tempo...

19/04/2010

Olá, boa tarde!
Enquanto escuto "Broken Social Scene", um conjunto canadense super cultuado e super desconhecido (obrigado Internet), a tarde se alonga no seu curso rumo à noite. Hoje tenho aula de Yoga, mas não sei se irei. Nunca sei ao certo o que farei em seguida!!!
Escrevo novamente, depois de um longo e tenebroso período. Muitas coisas ocorreram de 2008 até agora. Não posso explicar minha hesitação em escrever a não ser pela força da preguiça, da inércia.
Houve muito a ser dito, muito a ser refletido, mas o primeiro passo é sempre muito difícil para mim. Talvez o segundo e o terceiro sejam até piores. De fato, este é uma característica minha com a qual eu luto um pouco há algum tempo.
Meu momento atual é de aceitação, de vasculhar meus meandros interiores e de encontrar características indesejáveis, como a já citada, e passá-las para lista de aceitas e incorporadas no meu consciente.
Tenho lido, escutado, discutido e assimilado que a aceitação de todas as partes de meu ser interior é muito importante para minha evolução como ser humano, sendo parte de um processo maior conhecido como auto-transformação.
Tenho estado nessa busca há já algum tempo, passando por um caminho e outro. Nada ainda me satisfez completamente, mas, agora penso, que talvez a completude não seja um conceito por nós seres humanos nesta terra, neste planeta, nesta vida, nestas encarnações.
Algumas outras portas me foram abertas e eu agradeço aos céus por isso, por ter tido consciência delas e por ter tido a iniciativa de abri-las.
Essa busca e a do conhecimento nas habilidades artísticas têm me tomado tempo, dedicação e energia nesses últimos tempos. Estou gostando e me sentindo bem.
Recomeço o texto, pois saí para uma aula de Yoga. A propósito devo dizer que gosto do que experimento durante uma aula de Yoga. Gosto de seus objetivos e de sua abordagem mais lenta, mais profunda e meditativa.
Saí do CPqD em maio de 2009 e foi em forma de ruptura, de surpresa, de cima para baixo. Mesmo eu estando esperando e até desejando, quando aconteceu foi de repente, mas não muito sofrido. Para mim foi suave e quase indolor. Falo isso com a memória que tenho de um ano atrás. Senti mais pelo meu gerente do que por mim mesmo. Ele não estava confortável, mas quem estaria!!? Eu consegui sair bem, enquanto outros nem tanto.
Ao sair, fui curtindo o primeiro momento de liberdade e flexibilidade, como nas férias. Em seguida, após me ocupar dos tramites burocráticos e financeiros, comecei a me interessar pelo o que eu iria fazer dali em diante.
Desde há muito que pensava em me afastar definitivamente do meu perfil de engenheiro e seguir em direção ao meu lado mais sensível, artístico e espiritual.
Estou, então dando meus primeiros passos, engatinhando rumo à minha transformação maior. Sinto que é por aí mesmo o meu caminho.
Agradeço ao Universo por poder estar aqui agora, com essas pessoas ao meu lado me acompanhando e nestas condições físicas, materiais, psicológicas, emocionais e espirituais.
Vou seguindo meu caminho, em busca da felicidade plena.

Paz profunda a todos.

domingo, 10 de agosto de 2008

Uma pedrinha jogada nas águas calmas


Já faz muito tempo desde a última vez em que aqui estive. Apenas uma constatação e um fato, não uma reflexão. Muitas idéias ficaram para trás. talvez um dia, cada uma delas ressurja. Quem sabe!?

Estou ouvindo Dead Can Dance (DCD), brilhante banda dos anos 80 que ajudou a formar o caminho do estilo World Music. Com muita criatividade, coragem e competência. Tudo culminado em absoluta e profunda beleza.

As águas calmas são os momentos que vivem nossa família nos últimos meses, desde a morte da Dolly, nossa cadela mais querida.
É incrível como nós, seres humanos, buscamos construir à nossa volta, lugares onde se viva com tranquilidade, paz e amor. Buscamos também situações e relacionamentos que nos tragam alegria, felicidade, amor e segurança. Com o tempo e a habilidade adquirida chega-se em situações quase ideais, que na maioria das vezes estão refletidas no lar, no grupo de amigos e com sorte (ou alguma outra coisa) no trabalho.
Quando chegamos em uma situação de paz, prazer e uma leve excitação, não queremos mais sair dela. É muito confortável, maravilhosa. Por que quereríamos sair, ir para o desconforto, a tensão, o estresse, a raiva, os desafios enfim.
Por outro lado, parece que não criamos ou conquistamos muitas coisas de valor numa situação de tranquilidade e conforto muito grande. parece ser uma situação em que as coisas vão se tornando velhas e estagnadas, onde não há muito lugar para o novo, o desafiador e o criativo. Será mesmo!!!?
É uma idéia a se aprofundar, a se explorar com cuidado e coragem.

Bom, mas voltando ao tema, a pedrinha é o novo membro de nossa família. Nossa, algo novo. Isso pode ser muito perigoso e estressante. Pode ser desafiador. Quem é ele?
Bela (seu nome), é uma cadelinha (miniatura) Teckel (como a Maíra não gosta muito de escutar) ou Salsicha, para todos entenderem.
Chegou com 50 dias de vida e com um tamanho físico (20 cm) que não diz muito ou absolutamente nada sobre sua energia de vida, seu ímpeto pelo novo, seu espírito curioso, irriquieto e desejoso de todas as atenções, todos os afetos e todas as meias e tênis também.
Com um temperamento de cachorro líder, tende a ser dominador e manipulador das atenções, na tentativa de obter a satisfação de todas as suas carências e desejos. Nossa parece um ser humano.
É preciso lidar com cuidado nesse início de convivência, caso contrário ela se tornará o líder da casa toda, um monstro egoísta e faminto de tudo e todos. (Nossa, parece o ser humano). Um pouco (ou muito) de indiferença é bastante saudável neste caso. Uma boa dose de paciência, firmeza e falta de pena, também.
Mas, mesmo o mais paciente e o mais firme não deve mudar muito seu temperamento, que vai permanecer tal como é e vivenciar sua vida com as experiências de seu dia-a-dia.
Estas a levarão ao seu destino canino, que é alegrar seus donos e torná-los mais suaves e de bem com a vida, se estes dela cuidarem com carinho, respeito, disciplina e firmeza.
Confesso que é uma tarefa árdua para mim. Algumas vezes penso em desistir dela, devolve-la, para não precisar sair da minha vida segura, bem organizada, agradável, previsível e, eventualmente, morna e tranquila demais. Estagnada! Talvez não ainda. Mas, passiva e meio sem graça, talvez. Como isso é possível quando se tem tudo?
Parece que o mais gostoso que a vida pode nos oferecer, só acontece com esforço, suor e, eventualmente, lágrimas.
Só através de desafios e obstáculos, conseguimos acessar nossas profundezas e encontrar nossas melhores qualidades, a criatividade, o amor verdadeiro (incondicional) e a força de vontade para viver mais um dia de coisas novas para apreciar, aprender ou desenvolver.
Quanto mais nos aprofundamos em nosso íntimo, mais próximos estamos de nossa parte divina, onde todas as dúvidas e medos deixam de existir e tudo se esclarece.
Às vezes um filhote, humano ou não, carregando toda aquela energia vital de quem tem tudo a aprender e para quem tudo é novidade, bonito e desafiante, pode nos mostrar como as coisas são de fato. Longe de nossas máscaras e filtros de sobrevivência.
Os filhotes ainda estão mais próximos do lado de Lá e mantém sua pureza de intenções e um contato muito forte com seu íntimo. Para eles não existem ainda os medos, as preocupações, nem os preconceitos.
Durante toda nossa vida, por mais que soframos, caiamos ou nos desviamos de nosso íntimo, sempre mantemos um pequeno vínculo, uma pequena conexão com este. De modo que, vez por outra, com esta ou aquela experiência (com os filhotes, por exemplo), entramos em contato mais diretamente com nossa parte mais pura.
Por isso, nos alegramos tanto, gostamos tanto e queremos guardar aqueles momentos para sempre.
Mas, os momentos são apenas isso, instantes fugidios de tempo. O máximo que podemos fazer é vive-los intensamente,buscando nos aprofunadar nas qualidades mais puras de nosso íntimo.

Seja bem vinda Belinha. Sua presença veio para sacudir e colorir um pouco mais a existência de minha família.

Beijos e paz profundos a todos.

domingo, 20 de abril de 2008

A inocência e a pureza da vida

Campinas, 20 de abril de 2008, 10:38hs


Hoje, ao som progressivo (Shadowland) de Glass Hammer, gostaria de falar um pouco de uma experiência que, para mim, é muito gratificante. Uma das mais gratificantes que já experimentei.
É o cinema. Ir ao cinema. Assistir a um filme, mas não qualquer um. É um daqueles que, de vez em quando, e só de vez em quando mesmo, você tem o prazer de assistir ou experienciá-lo de maneira plena.
Ele te pega emocionalmente em vários asp
ectos. Durante, mais ou menos, duas horas você se envolve ou se deixa envolver, de forma intensa e vive a estória. Entra na pele do personágem ou experimenta as emoções que ele está vivendo, participa ativamente.
Se você se deixar levar e o filme for daqueles especiais, o mundo à sua volta desaparece. Sua realidade muda quase que completamente e você pode ter sentimentos e emoções que há muito não sentia. E isso pode ser muito gratificante. Para mim é.
No meu caso, um desses tipos de filme especiais é o desenho animado. Não todos infelizmente, mas especialmente alguns me pegam de uma forma intensa e muito gostosa.
Posso citar alguns que me lembro agora: Ratatouille, Nemo, Madagascar, Monstros SA, Era do Gelo, Sem Floresta, Cinderela, Bambi, Pinochio, etc.
Os desenhos têm uma característica muito especial que, me parece ser aquela que o transforma em uma experiência mais gratificante do que os outros tipos de filme.
Ele é feito especialmente para as crianças. E, hoje em dia especialmente, para os adultos que acompanham as crianças no cinema. Por isso, são muito bem produzidos e realizados com todo o carinho e cuidados possíveis.
Há um tipo de desenho em que se busca especialmente recriar as dimensões mais essenciais do universo infantil, ou seja, a alegria, a imaginação, a pureza e a inocência.
Quando o desenho consegue no seu roteiro, capturar bem essas dimensões da infância, se torna para mim uma experiência incomparável.
De repente, tenho vontade rir, de chorar, de aplaudir e de vivenciar aquelas aventuras junto com os personagens. É uma coisa muito louca mesmo. E muito legal.
Mas, como eu ainda sou meio bobinho, só me permito externar risos e aplausos. Choros são contidos. Mas, essa é uma outra estória, para uma outra comunicação.
Um dos melhores programas para mim é ir a um desses filmes especiais, desenhos ou comédias de preferência, junto com pessoas que eu amo.
E ontem, sábado, foi um desses dias especiais em que isso aconteceu. Fomos, eu, Eneida e Maíra (com acento!!) ao Iguatemí (pq quem aguenta o D.Pedro) assistir a um desses desenhos maravilhosos, "Horton e o mundo dos Quem!?".
Não gostaria de criar espectativas em vocês, mas agora já era. Eu gostei e muito. Me divertí bastante, com a estória, seus personágens, com a música e com as crianças à minha volta.
Novamente, rí bastante, me emocionei, quiz aplaudir e chorar no final. Foi muito legal.
Logo que entramos na sala, vimos que estava vazia, não havia ninguém ainda. Mas, aos poucos foram chegando os pais (alguns sem) e seus filhos, em geral pequenos.
Pode haver uma preocupação em se o barulho das crianças (grandes e pequenas) vai atrapalhar durante o filme, mas se você não "encanar", a coisa fica mais leve e pode-se até se divertir com eles e suas manifestações.
E foi o que aconteceu neste caso. Logo nas primeiras duas ou tres cenas com o elefante Horton, acontecem cenas engraçadas e as crianças já começam a se divertir.
Uma delas em especial, logo atrás de onde eu estava deu uma gargalhada tão gostosa e sonora que me colocou direto no clima da estória. Foi muito autêntica, sem controles ou máscaras. Foi pura e inocente. E isso me pega em cheio.
Quando consigo entrar em contato com essa dimensão da vida em mim mesmo, sou o ser mais feliz do mundo. E é possível sempre que quizermos, por que está alí ao nosso alcance para o nosso deleite. faz parte de nossa natureza, do nosso ser.
E não precisa ser diferente, mesmo com uma martelada no seu dedo.
Como dizia o outro: a vida é bela.

abraços e beijos aos queridos,