quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Ritual

No embalo inspirado e místico de Aeoliah, com seu álbum "Majesty", inicio este novo ano (2014) nesta nova-velha vida.

Toda passagem de ano nos faz refletir sobre vários temas importantes. O que fizemos, o que vamos fazer, planejamentos profissionais, de aquisição de bens, resoluções sérias e firmes, etc.
Vou refletir um pouco aqui sobre os rituais e seu valor para mim. 

Como  se sabe, os rituais existem na vida humana desde de seus primórdios e estão ligados a religiões, a culturas e a associações místico-filosóficas, grupos militares, políticos, dentre outras instituições.
Existem rituais de passagem de uma estação do ano para outra, de um período na vida para outro, de apreciação de um ídolo ou deus, de fertilidade, de crescimento, de celebração de vitórias, de lamentação de derrotas, de lamentação de perdas, de júbilo pelo casamento, etc.
Desde que o Homem, pela primeira vez, olhou para o céu noturno estrelado e viu o que todos podemos ver ainda hoje, começou a sentir algo profundo, misterioso, começou a se sentir inserido na imensidão do universo. Mesmo sem entender.
Desde que começou a ver o valor da alimentação, da companhia dos outros e do refúgio seguro em suas vidas, o homem começou a ter necessidade de celebrar e repetir certos comportamentos para reviver as emoções sentidas e passá-los aos outros.

Por que o ser humano é tão conectado assim aos rituais!? Qual é sua força, seu valor?

O mais importante é notar que cada ritual contém e pretende transmitir um significado, um princípio e um mistério envolvidos em sua ideia.
Seu princípio e significados mais mundanos nos fazem pensar, interiorizar e tomar resoluções sérias e firmes e até nos transformar. Mas é o mistério envolvido que pode causar o maior efeito, porque nos cria uma dúvida em nossa compreensão e pode fazer com que nos curvemos e o reverenciemos.
Sim, por que como todo mistério que se preze, ele é inalcançável (por enquanto, pelo menos!) pela intelectualidade, pela racionalidade humanas. E isto nos faz menores, humildes. 
Nós nos curvamos para aquilo que não conhecemos totalmente. O orgulhoso ser humano, que acha que tudo sabe, de repente, se vê nas garras do misterioso.
E o Mistério, o insondável, o inexplicável é maior do que nosso Ego, maior do que nós. Essa é uma ideia muito importante para continuarmos nossa jornada com o devido respeito e consideração pelo que é maior do que nós, pelo misterioso.
Muito importante para nos manter humildes, receptivos, atentos e conectados com os sentimentos e a sacralidade desse mistério.
Há algo Maior, mais importante do que o Ego, simbolizado pelo mistério nos rituais. Sem dúvida que há! Caso contrário, saberíamos por que estamos aqui.

O ritual ainda tem valor e significado para o ser humano enquanto a ideia que representa ou simboliza não estiver banalizada. Ou seja, enquanto o cinismo e a ironia humanas ainda não a tiver corrompido.
A banalização de tudo tira a reverência, o mistério e a profundidade da vida. E ai, achamos que somos maiores do que tudo. Ledo engano sempre.

Por isso, a atenção à intenção, ao seu interior, a disciplina para manter o ritmo da respiração e o silêncio interiores são muito importantes.

Abraços fraternos e paz profunda.

Um comentário:

Henrique Souza disse...

BELO TEXTO!

NAMASTÊ!

HENRIQUE.